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Vacinação e Autismo: um ato que salva vidas

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Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, voltou-se a discutir a questão das vacinas e sua importância na manutenção da saúde coletiva. Depois de muitos meses de pesquisa e desenvolvimento, além de testes rigorosos, cientistas ao redor do mundo desenvolveram imunização contra o Covid-19 e as primeiras pessoas já receberam a primeira dose no Brasil.

No entanto, essa importância vem atrelada ao discurso anti-vacina, que se popularizou nos últimos anos. Entre outras alegações, esse movimento diz que a vacinação infantil seria a causa do autismo. No entanto, além de não ser uma afirmação verdadeira, ela contribui para a estigmatização de crianças com TEA e para a disseminação de doenças infecciosas.

“As vacinas são um dos maiores avanços da medicina e responsáveis por importante redução da mortalidade infantil e de sequelas graves, como a paralisia infantil, nas últimas décadas,” explica o neurologista Dr. Marcelo Masruha. “Não há qualquer evidência de relação de causa-efeito entre vacinas e autismo.”

 

Vacinas para combater a pandemia

 

“São diversas as tecnologias imunizantes contra doenças infecciosas,” conta Sara de Souza Oliveira, enfermeira, mestre em epidemiologia e saúde pública pela ENSP/Fiocruz. “As vacinas são basicamente compostas por duas partes, o antígeno, (que estimula a resposta imune) e os excipientes, que podem ser adjuvantes ( que servem para potencializar a resposta imune) ou conservantes e estabilizantes (usados para melhorar a estabilidade da vacina).”

 

Existem duas vacinas diferentes sendo utilizadas hoje no Brasil. A Coronavac, distribuída pelo Instituto Butantan, e a AstraZeneca, utilizada pela Fiocruz. A Coronavac utiliza o vírus inativo para criar imunidade. Já a AstraZeneca utiliza um vírus inócuo ao ser humano como “envelope” para entregar o antígeno do vírus à célula. Nesse caso, adenovírus de chimpanzé (inofensivo aos seres humanos)  como vetor viral para proteínas do Sars-COV-2 às quais o sistema imune gera uma resposta.

Ambas oferecem mais de 70% de eficácia em casos leves e 100% de eficácia contra casos graves. Além de diminuir a disseminação do vírus, também evitam que unidades de saúde estejam ocupadas em ponto crítico. Já estão sendo aplicadas em idosos e profissionais de saúde. 

Entre os efeitos colaterais estão dor no local, mal estar e febre passageira. “As vacinas que estão sendo empregadas na imunização da COVID-19 não foram estudadas em crianças e não tem seu uso indicado em menores de 18 anos” conta Dr. Marcelo, explicando que estudos de vacinação infantil levam anos.

“É importante ressaltar” frisa a psicóloga Joice Andrade, “que toda vacina passa por uma série de estudos e testes antes de ser comercializada. No Brasil, é preciso seguir todos os protocolos de segurança, efetividade e eficácia exigidos pela ANVISA”.

 

Os efeitos de Covid-19 para crianças autistas

 

Apesar de crianças com TEA não representarem grupo de risco para a pandemia, muitas inclusive sendo assintomáticas, os efeitos dela ainda são sentidos. Tanto para a própria criança quanto para a família, a mudança de rotina, a falta de ambientes adequados para educação e desenvolvimento desencadeiam alterações de humor e podem piorar sintomas.

 

Outro ponto importante é que, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o impacto da alteração de rotina com o distanciamento social afeta o sono de crianças autistas mais do que crianças neurotípicas. 

 

Além disso, por terem sensibilidade sensorial diferenciada, essas crianças podem estar mais sujeitas à contaminação, como no caso de colocar coisas na boca, encostar em objetos contaminados, não higienizar as mãos corretamente, entre outros.

 

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O mito da vacina que causa autismo

 

O transtorno do espectro autista pode ter diferentes causas. Ocorre que, na maioria dos pacientes, entretanto, não se descobre sua causa específica,” explica Dr. Marcelo. De acordo com ele, isso se deve à maior atenção da medicina e critérios de avaliação modernos.

 

E há fatores biológicos que não devem ser descartados, continua ele.: “o nascimento e sobrevida de um número maior de prematuros nas últimas décadas também pode ter colaborado para esse aumento, haja vista que essas crianças têm maior risco de apresentar esse transtorno. E não pode ser descartada, inclusive, a participação de um fator biológico ou ambiental ainda desconhecido.”

 

Hoje, é incomum encontrar pais que apresentem resistência à imunização, mas esse debate voltou à luz das discussões devido às novas vacinas desenvolvidas para combater a Covid-19”, explica Joice Andrade. “É importante trazer para as famílias esses acontecimentos na ciência e pesquisas que derrubaram essa hipótese ainda no século passado, trazendo mais segurança e conscientizando sobre os cuidados com a saúde da criança.”

 

Ela conta que esse mito teve origem com um estudo de 1998 do médico britânico Andrew Wakefield “onde apontava uma relação entre a vacina tríplice viral (contra caxumba, sarampo e rubéola) e uma infecção intestinal crônica e, ainda, uma inflamação cerebral que poderia determinar os sintomas do autismo em crianças.”

 

A importância da vacinação

 

Ainda que o mito tenha sido desaprovado no início dos anos 2000, sua difusão traz consequências até a atualidade. A diminuição na vacinação contra a poliomielite pelo mundo coloca em risco a volta da doença, hoje erradicada no Brasil. A vacinação contra poliomielite é um grande exemplo da importância das vacinação em crianças. “A pólio é uma doença que pode gerar morbidades para toda a vida da pessoa acometida. Desde 1989 não há casos de poliomielite registrados no país, graças as campanhas de vacinação do Programa Nacional de Imunização Brasileiro”, diz a enfermeira Sara de Souza Oliveira.

 

Além disso, há resistência dos pais de levar crianças a postos de saúde e receber vacinas de rotina com a pandemia de Covid-19. Mas ela explica que os benefícios superam os riscos: “Por favor, vacine seus filhos! Vacinas são seguras e salvam vidas, individualmente e coletivamente. Mesmo durante a pandemia, proteja seu filho e você, e vá ao posto de saúde vacinar. A imunização de rotina em crianças previne 84 vezes mais contra mortes por doenças imunopreviníveis do que o risco de contrair COVID-19 indo ao centro de saúde para se vacinar.”

 

E ela conclui explicando que a vacinação obrigatória infantil é um marco para a saúde pública: “Ela salva milhões de vidas anualmente. A vacinação previne mais de 2,5 milhões de mortes anualmente.”

 

Confira nossa lista de atividades para realizar com crianças autistas durante a quarentena!

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