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Tempo de tela e os cuidados com as crianças autistas

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Se há alguns meses a internet, os celulares e computadores eram vistos como vilões da socialização, em meio a pandemia de coronavírus, essa mesma tecnologia aparece como mocinha. Porém, algumas dúvidas sobre seu uso podem surgir, inclusive sobre o tempo de tela diário indicado para as crianças com autismo.

Para compreendemos melhor o assunto,conversamos com o neurologista adulto e infantil Dr. Marcelo Masruha, e com a psicóloga Joice Andrade.

Saiba mais sobre a importância da tecnologia no tratamento de TEA e quais os tempos de tela indicado para crianças com autismo no decorrer do texto!

 

Qual a importância da tecnologia para o tratamento de crianças autistas?

A tecnologia vem se mostrando uma grande aliada para o desenvolvimento de crianças autistas desde muito antes da pandemia.

Tablets, celulares e computadores podem servir como ferramentas de conexão das crianças com TEA com outras pessoas. É isso que destaca a psicóloga Joice Andrade: 

“Apesar das discussões sobre o uso de tela potencializar comportamentos de inabilidade social, pode-se utilizar ferramentas como jogos que estimulam o reconhecimento de emoções, treinando assim uma habilidade social que normalmente é encontrada em déficit em crianças com TEA”.

Assim, muitos softwares e aplicativos são desenvolvidos para auxiliar psicoterapeutas e os pais no tratamento das crianças autistas, como recorda Dr. Masruha:

“A interatividade e o caráter lúdico desses aplicativos, em geral, leva a uma boa adesão a esse tipo de tratamento, sendo ferramentas importantes e que podem ser utilizadas com muito êxito no tratamento dos pacientes”.

Alguns desses programas são desenvolvidos em formatos de jogos online, pensados especificamente para engajar e ajudar o desenvolvimento de uma criança autista.

Entre alguns desses jogos, temos o aplicativo JADE, que tem como objetivo estimular e desenvolver as funções cognitivas de crianças com TEA, ao mesmo tempo em que auxilia profissionais e pais no tratamento.

Mas vale lembrar, como ressalta Masruha que essas tecnologias “não substituem as terapias tradicionais, ou seja, elas vem para se somar às demais terapias”.

 

 

Quando meu filho deve ter um celular?

Quando falamos sobre o uso de tecnologias para o desenvolvimento de crianças autistas, muitos pais podem ficar em dúvidas: deixo meu filho utilizar o meu aparelho pessoal? Ou devo adquirir um celular ou tablet para ele?

De acordo com Dr. Marcelo, não há nenhuma diferença da influência da tecnologia para crianças típicas ou atípicas. Isso “contanto que haja uma adequação à idade mental da criança e às suas habilidades motoras”, ele completa.

Já sobre a idade ideal para que crianças possuam seu próprio dispositivo, seja ela típica ou com TEA, os especialistas não definem um momento específico.

Portanto, cabe aos pais tomarem a decisão sobre qual o melhor momento para dar um celular aos filhos, levando em consideração a maturidade da criança.

Além disso, ao entregar um dispositivo ao seu filho, alguns cuidados devem ser tomados, como:

– Manter um diálogo permanente sobre o bom e o mau uso do celular;

– Monitoração constante, principalmente nos primeiros meses;

– Dar bons exemplos a respeito do uso do celular;

– Buscar formas de explicar sobre os perigos da internet, mas sem terrorismo;

– Estabelecer outros meios de comunicação;

– Traçar limites claros.

 

Qual o tempo de tela recomendado para crianças?

Especialmente neste momento de isolamento social, as crianças ficam dentro de casa e parecem estar sempre ligadas no computador ou no celular, certo? E mesmo que isso possa parecer confortável, não é o indicado pelos profissionais de saúde.

Dr. Marcelo Masruha ressalta que “as mesmas recomendações do tempo de tela são válidas para crianças típicas e atípicas”. E segundo a Academia Americana de Pediatria, os seguintes tempos de limites de tela são recomendados:

– Abaixo de 18 meses: essas crianças não devem ser expostos às telas.

– 18 meses a 2 anos: os pais devem escolher uma programação de alta qualidade e assistir com as crianças, para ajudá-las a entender o que estão assistindo.

– 2 a 5 anos: o uso de tela deve ser limitado a uma hora por dia, de programação de qualidade e apropriada à idade. Os pais devem assistir a mídia junto com a criança para ajudar na compreensão do que está sendo visto.

A partir dos 6 anos de idade, é aconselhado os pais conciliem o tempo de tela dos filhos com outras atividades. Além disso, deve-se estimular a prática de atividades físicas, estabelecer limites diários para o uso de eletrônicos e dar bons exemplos desse uso.

O neurologista nos lembra que “essas recomendações foram feitas para a visualização passiva de telas, e não para o uso de dispositivos com os quais as crianças possam interagir. Contudo, é importante ter em mente esses tempos e usar o bom senso para não excedê-los de forma excessiva”.

Como vimos, a tecnologia pode ser uma grande aliada no desenvolvimento de crianças autistas. Porém, nunca com exagero. É importante estabelecer limites e estimular seu filho com outras atividades.

Pensando nisso, no nosso próximo post, você saberá mais sobre as consequências do uso exagerado das tecnologias e como limitar o tempo de tela de seu filho. Fique de olho no Instagram e aqui em nosso site para conferir as novidades!

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