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Saiba como os suportes visuais podem ajudar uma criança com autismo

A comunicação é uma das principais dificuldades de crianças com autismo, mas os suportes visuais podem ajudá-las na compreensão de mensagens e na explicação de necessidades.

Conforme já abordarmos aqui, uma das maiores dificuldades de pessoas com autismo é a comunicação. Geralmente, elas precisam de ajuda para explicar o que querem. Dessa forma, os suportes visuais aparecem como uma boa maneira de ajudar a comunicação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Contudo, é preciso lembrar que todos nós precisamos de suportes visuais. Por exemplo, quando vamos utilizar um banheiro público ou quando vamos atravessar uma rua. Nesses casos, as placas com símbolos específicos nos ajudam a tomar decisões. A pedagoga e psicomotricista Beatriz Zeppelini explica que são as pessoas com autismo que mais se beneficiam do uso de suportes visuais.

“Os caminhos visuais fazem mais sentido para pessoas com autismo. Muitas pessoas com autismo, que têm capacidade de se expressarem verbalmente, já manifestaram que aprendem mais quando as informações são visuais. Isso porque a área cerebral que é responsável pela parte visual costuma funcionar melhor em pessoas com autismo. Muitos tem memória visual excelente”, conta.

O que exatamente são os suportes visuais?

Segundo Beatriz Zeppelini, suportes visuais são qualquer tipo de item visual acrescentado em um determinado ambiente para facilitar a compreensão de pessoas com TEA ou minimizar as dificuldades de comunicação.

“O grupo de habilidades sociais que desenvolvo com algumas crianças pode ser usado para exemplificar o que são os suportes visuais. As crianças se sentam em uma roda e devem seguir determinadas regras. Para muitas pessoas, não é preciso de imagens que as lembrem das regras, mas para essas crianças, sim. Há diversas regras que são explicadas por meio de pictogramas, como permanecer sentado no lugar, levantar a mão para falar, entre outros”, explica a psicopedagoga.

Outro exemplo é o aplicativo JADE que utiliza suportes visuais, com imagens específicas para a realização das atividades educativas propostas na plataforma. Essas atividades, por meio das imagens, estimulam o desenvolvimento de crianças com espectro autista.

Tela com exemplos de suportes visuais no aplicativo Jade

Avaliação individual

Os suportes visuais podem ser usados em atividades básicas do cotidiano. Com o intuito de ensinar a criança a escovar os dentes, por exemplo, os pais podem usar imagens que ajudam na compreensão daquela atividade pela criança. O ideal é que o adulto responsável forneça instruções iniciais para a criança para que ela compreenda melhor a mensagem dos recursos visuais.

Já para os profissionais, é necessária a compreensão de que as crianças com autismo são diferentes uma das outras. Por isso, cada uma exige uma necessidade diferente. Beatriz Zeppelini alerta sobre os riscos das generalizações.

“Cada criança com autismo precisa de uma avaliação individualizada. Eu não posso dar uma receita de bolo e dizer que todas as pessoas com autismo precisam de determinada técnica. Nós precisamos fazer um rastreamento das habilidades e das dificuldades para, assim, elaborarmos um planejamento e colocarmos os suportes necessários”, explica.

Suportes visuais e a rotina da criança

As crianças com autismo, geralmente, são mais resistentes às mudanças de rotina. Por isso, um suporte visual interessante é a agenda ou quadros de atividades. “Como essas crianças têm pouca flexibilidade, o suporte visual pode dar uma certa previsibilidade da rotina. Por meio do uso de uma agenda, por exemplo, é possível minimizar os problemas de comportamento relacionados à mudança de rotina. O uso deste recurso dá à criança uma noção do que vai acontecer no dia dela”, explica Beatriz.

Para saber mais sobre como os suportes visuais podem ser usados na rotina das crianças, confira aqui o vídeo de Beatriz Zeppelini sobre o assunto. Fique de olho em nosso blog para ficar por dentro de outras discussões importantes sobre o TEA.

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