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Como a sala de aula pode ser mais receptiva ao aluno com TEA

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Um dos pilares para a inclusão social é a acessibilidade da educação. Como as crianças com TEA já sofrem de vários estigmas socioculturais, é importante que o ambiente escolar seja acessível, receptivo e adequado para seu desenvolvimento.

Assim, tanto alunos quanto suas famílias encontram na escola uma ferramenta de estímulos educativos, sociais e culturais que podem ajudar a criança a se destacar em áreas de seu interesse, se preparar melhor para a vida adulta e, claro, encontrar vínculos sociais que são importantes durante a infância e a adolescência.

Mas nem sempre o ambiente escolar é tão receptivo para o aluno com TEA. Além da desinformação em torno do autismo, em muitos casos os educadores não estão preparados para atender às necessidades desses alunos ou mesmo a escola não sabe os recursos que devem ser utilizados.

 

Estigma e tratamento de aluno com TEA

 

O primeiro passo, de acordo com a psicomotricista Beatriz Zeppeline, é entender que a individualidade do aluno vem primeiro: “é importante conhecer o aluno, sem rótulos. É claro que sabemos que existem comportamentos típicos de pessoas com TEA, mas não devemos deixar que esses rótulos limitem nossa prática porque cada pessoa é única e tem necessidades e potencialidades específicas.”

Isso significa que o educador não deve encarar as necessidades do aluno com TEA como desafios a serem combatidos, mas características de aprendizado diferente. Dentro do espectro do autismo, alguns alunos encontram facilidade e dificuldade em diferentes áreas, então é importante respeitar a multiplicidade de cada criança.

“Devemos descobrir de que forma essa pessoa aprende, respeitar o nível de comprometimento intelectual, quando houver, tentar entender a função de determinados comportamentos” diz a profissional.

Para isso, é importante que os educadores estejam em contato frequente com a família do aluno e a par das adaptações necessárias e intervenções terapêuticas envolvidas. Alguns exemplos são guias visuais de comunicação ou entender as limitações motoras da criança e adaptar o ambiente.

 

Como facilitar e otimizar o processo de inserção do aluno com TEA na sala de aula

 

Além de ter em mente as características individuais do aluno, é importante que os educadores estejam atentos ao seu progresso. Os registros desses avanços, explica Beatriz “norteiam os avanços e as necessidades de reformulação/readaptação de estratégias que não estão funcionando para o aluno em questão.”

O aspecto social da escola também é importante para o desenvolvimento da criança. “Para incentivar o aluno a participar de atividades coletivas, é importante deixar muito claro o que será feito e por quanto tempo, e para isso o professor pode usar suportes visuais, como por exemplo, usar agendas de atividades com previsibilidade das tarefas que deverão ser concluídas em um determinado período de tempo”, diz Beatriz. Isso ajuda a criança com autismo a entender o ritmo e se motivar a participar mais ativamente das atividades.

Outra dica que ela dá é a de tornar o conteúdo mais próximo de seu interesse e parabenizá-lo por participar: “é importante que o aluno sinta-se motivado, portanto, precisamos descobrir suas preferências, como por exemplo, incorporando personagens favoritos em suas atividades e oferecendo ajudas (física, gestual etc.) sempre que o aluno apresentar alguma dificuldade, mediando as interações do aluno em questão e utilizando esquemas de reforçamento positivo.”

 

A questão das estereotipias

 

Algumas pessoas com TEA apresentam estereotipias, comportamentos repetitivos e potencialmente agressivos quando se sentem estimuladas demais pelo sensorial. Beatriz alerta que as anotações e prestar atenção em padrões pode diminuir a ocorrência desse comportamento disruptivo.

“Observação e registro dos comportamentos do aluno são um ponto chave para minimizar comportamentos disruptivos, pois, uma vez que o professor tem conhecimento de questões sensoriais, tempo de adesão das demandas, estímulos que podem causar desconforto para o aluno”, diz. Isso é, se o aluno apresenta sensibilidade a sons altos ou luzes fortes, o educador pode evitar incluir esses recursos em sala de aula. Se o tempo das atividades é longo demais, o aluno pode precisar de novos estímulos mais rápido. 

Dessa forma, há adequação do ambiente de ensino para a realidade do aluno autista e ele se sente pertencente ao espaço escolar e isso estimula o aprendizado e o desenvolvimento social da criança.

 

O que não fazer

 

Beatriz explica que uma das dificuldades é que o aluno autista aprende de formas diferentes do aluno neurotípico. O que significa que, muitas vezes, suas demandas acabam sendo deixadas de lado e ele acaba perdendo informações importantes.

Para evitar que isso ocorra, os educadores não devem deixar muito tempo passar até que a criança aprenda com atraso. Ao invés disso, devem se preparar para as necessidades do aluno “com técnicas baseadas em evidências científicas, pois muitas vezes o aluno deixa de aprender, não por questão de ser uma pessoa autista, mas por não ter sua forma de aprendizagem respeitada.” 

Por fim, ela diz que um ensino efetivo se baseia no respeito, na ciência e na formação adequada. “Entender que o Transtorno do Espectro Autista é um universo múltiplo, que cada indivíduo apresenta características diferentes e que existem estratégias de ensino e tecnologias que são essenciais para esse público são pontos principais para um ensino efetivo”, conclui.

 

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