É muito comum, entre as crianças autistas, o surgimento da seletividade alimentar. Apesar de não ser exclusiva do autismo – muitas crianças neurotípicas apresentam a questão – é uma característica muito presente neste grupo.

Essa dificuldade pode ser estressante para pais e profissionais de saúde, que buscam uma alimentação nutritiva e variada para as crianças. No entanto, é preciso entender que o processo exige paciência e que forçar a criança a comer coisas que ela não se sente confortável comendo pode gerar traumas.

 

O que realmente é seletividade alimentar?

 

A prof. dra. Giselle Duarte, que mantém o perfil @maternutri no Instagram, explica que nem sempre a seletividade é a questão em pauta. “A partir de 1 ano, o bebê pode começar a construir suas preferências alimentares por meio das experiências que ele está tendo na introdução alimentar. Isso se chama selecionar!”

Ela questiona: se mesmo os adultos têm preferência por um sabor ou outro, por que os bebês e as crianças não teriam? É claro que, assim como o restante da família, eles não devem comer apenas seus alimentos favoritos o tempo todo e não se abrir para novos sabores. Mas a nutricionista frisa: “Para garantir um futuro saudável é preciso entender que os hábitos ainda estão em construção e que todos nós somos moldados o tempo todo!”

Já a seletividade alimentar é um problema mais sério: nesse caso, explica ela, é quando a criança se recusa a comer determinados alimentos, causando um prejuízo à sua nutrição e à saúde. A longo prazo, o impacto dessa seletividade se manifesta em doenças e/ou hábitos alimentares prejudiciais para a vida adulta.

 

Seletividade alimentar e autismo: qual a relação?

 

A dificuldade que muitas crianças autistas enfrentam na hora de comer está ligada aos estímulos sensoriais. Uma das características do autismo é a sensação de sobrecarga quando a pessoa recebe muitos estímulos que a afetam negativamente.

Texturas, cheiros e combinações que desagradam os sentidos das pessoas autistas acabam tendo um efeito mais forte do que em outras pessoas. A hipersensibilidade faz com que uma comida de sensorial negativo seja ainda mais intensa. Então, não é apenas uma questão de sabor, mas de afetar negativamente a experiência de se alimentar.

É por isso que muitas crianças autistas apresentam irritabilidade e frustração na hora de comer e geram problemas na família. Quando a criança se recusa a comer, isso estressa os pais e gera um momento negativo à mesa.

 

Como incentivar a criança a comer?

 

Existem dois pontos muito importantes para auxiliar a criança a comer melhor. O primeiro deles é investir em uma equipe multiprofissional que ajude a criança a desenvolver habilidades motoras que tornem o processo de comer mais simples.

Terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos são profissionais capacitados para integração sensorial, o que facilita a introdução de novos alimentos na vida da criança.

Já dentro de casa, é importante ter consideração e foco: ainda que as famílias queiram introduzir cada vez mais alimentos saudáveis, é importante não forçar a criança a comer nada. Essa estratégia gera traumas e piora a relação com a comida, trazendo mais malefícios a longo prazo.

O mais correto, segundo especialistas, é apresentar diferentes formas e trazer ludicidade ao momento da comida: se a criança não gosta da textura de verduras cozidas, por exemplo, que tal oferecê-las cruas? Ou adicioná-las a um alimento que a criança goste? Dessa forma, ela se aproxima daquele sabor com mais facilidade.

A variedade alimentar deve fazer parte da rotina de toda a família: não dá para tentar incentivar a criança a comer melhor se os adultos não o fazem. Mostrar aos filhos que todos fazem refeições nutritivas e balanceadas ajuda a normalizar o comportamento.

 

Como seu filho se alimenta? O que você faz para incentivar comidas nutritivas e saborosas? Para dialogar com outras famílias de crianças autistas, siga o @JadeAutism no instagram

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