O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na interação social e na comunicação, interesses restritos e movimentos repetitivos, mas que diferem em seu curso de desenvolvimento, sintomas, linguagem e habilidades cognitivas. Normalmente, a condição é diagnosticada aos três ou quatro anos de idade, embora os primeiros sintomas de autismo podem aparecer em bebês de 2 anos ou menos. Mas quais são as causas do autismo?

“Sabe-se que uma para 59 crianças americanas têm diagnóstico de TEA. No Brasil, não existem dados semelhantes, mas, usando a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que 1% da população mundial tem autismo, dessa forma, podemos estimar que existam mais de 2 milhões de autistas no país, ou melhor, mais de 2 milhões de famílias que são impactadas pelo autismo no Brasil”, detalha Graciela Pignatari, doutora em biologia molecular e diretora executiva da Tismoo, startup que usa sequenciamento genético para entender e tratar o transtorno no país.

 

Causas do autismo: fatores genéticos estão associados ao TEA

 

Segundo Pignatari, o autismo é um transtorno multifatorial que envolve fatores genéticos e ambientais que atuam em diferentes combinações. Ela explica que “até 2017, o risco genético estimado para o TEA estava entre 70% a 90% com herdabilidade, variando de 80 a 83%, enquanto que os riscos ambientais eram bem baixos em termos relativos”.

Entretanto, um estudo publicado pelo JAMA Psychiatry, em 2019, afirmou que o risco do autismo é majoritariamente genético e em torno de 97% com herdabilidade de 81% , conferindo apenas 1% a 3% aos fatores ambientais. A pesquisa foi realizada com 2 milhões de indivíduos em cinco países diferentes.

Embora a genética seja um elemento importante no desenvolvimento do autismo, ainda existe uma dificuldade na identificação dos genes que estão associados ao transtorno. Outros estudos já mostraram que o autismo não é resultado de alterações em um único gene. Isso porque modificações em cerca de 800 genes já foram associadas ao transtorno.

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As causas do autismo também são ambientais

 

Entre as causas do autismo, os fatores ambientais também são incluídos. A Graciela Pignatari ressalta que existem elementos que estão associados aos hábitos de vida dos pais da criança. “Entre os riscos mais relevantes estão: a idade paterna seguida da idade materna, a exposição de agentes intrauterinos, como drogas (ácido valproico), infecções, doenças autoimunes, baixo peso ao nascer, hipertensão e obesidade antes ou durante a gestação”, conta.

A doutora aponta, também, os fatores que não são risco para o TEA. Há alguns anos, notícias falsas passaram a circular nas redes sociais afirmando que a vacinação, por exemplo, era uma das causas. Mas isso não é verdade.

A vacinação não é um fator de risco para o TEA, como também toxinas, poluentes, compostos químicos, desnutrição, alimentação, vitaminas, ácido fólico, estresse, amamentação e depressão pós-parto”, finaliza

 

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