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Como as ferramentas de rastreamento do autismo ajudam profissionais a confirmar sinais de alerta?

 

O rastreamento do autismo é essencial para que o diagnóstico seja feito de forma eficiente, tanto em questão de tempo quanto de acertos. Para que os profissionais de saúde possam auxiliar as crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias da melhor forma possível é importante que as questões sejam levantadas e pesquisadas.

É por isso que os instrumentos para rastreamento do autismo podem ajudar no diagnóstico. Eles surgem para que o trabalho de profissionais como pediatras, fonoaudiólogos, terapeutas e outros membros da comunidade de saúde tenham ferramentas para entender as dificuldades de seus pacientes, especialmente os da primeira infância.

Com o trabalho e intervenções terapêuticas adequadas, pacientes e suas famílias podem entender melhor o TEA e as barreiras que ele pode implicar, assim como as melhores formas de lidar com elas.

O que são as ferramentas para rastreamento do autismo?

Marcelo Masruha, neurologista infantil, explica que um método aplicado para rastreamento do autismo é o questionário M-CHAT: “deve ser empregado na avaliação de crianças dos 16 aos 30 meses”.  Mas ele alerta: “como na maioria dos testes de rastreio, haverá um grande número de falsos positivos, isto é, crianças que preenchem os critérios para TEA pelo questionário, porém que, de fato, não têm o transtorno. Esses resultados, no entanto, podem apontar para a existência de outras anormalidades do desenvolvimento, sendo, por isso, necessária a avaliação por especialistas.”

A psicóloga Joice Andrade acrescenta que existem diferentes escalas para análise dos profissionais de saúde, “como a Childhood Autism Rating Scale – CARS (Escala de Avaliação de Autismo na Infância), que avalia os comportamentos da criança de acordo com as informações obtidas através dessas entrevistas com os cuidadores, onde atribui uma nota para cada comportamento e fornece uma classificação final, podendo ser normal, autismo leve/moderado e autismo grave”.

Ela também reforça a importância da conversa com pais e responsáveis no processo de diagnóstico do autismo: “a avaliação em crianças com suspeita de TEA ainda envolve, sobretudo, a identificação de sinais de alerta em marcos do desenvolvimento nos primeiros anos de vida, para isso utiliza-se de entrevistas clínicas retrospectivas, como a anamnese, com cuidadores e profissionais que acompanham ou acompanharam a criança”.

A terapeuta Beatriz Zepelline, especialista em Análise do Comportamento, frisa que nessa forma de trabalho também são feitas avaliações (como VB-MAPP e AFLS e o Sistema Protea-R) para saber a linha de base do repertório da criança e elaborar um programa de ensino e intervenção baseado nas capacidades e no progresso daquela criança.

Como elas auxiliam os pacientes e profissionais no diagnóstico do autismo?

Joice reforça que esses métodos de rastreamento do autismo ajudam no diagnóstico precoce e também podem combater a desinformação sobre sintomas e intervenções: “após o diagnóstico, é de extrema importância que a família e a criança recebam informação acerca do transtorno, dos sintomas, das formas de tratamento e das particularidades que seu filho apresenta, para que evite que a família caia em falsas promessas de tratamentos milagroso”.

Beatriz também explica que o relacionamento dos profissionais de saúde com a criança e seus pais ou cuidadores é de extrema importância para que as intervenções tenham sucesso. O terapeuta deve explicar a utilização dos métodos de rastreio, diz ela, “dando feedback para os pais dos relatórios de comportamento” e explicando as intervenções que serão realizadas no consultório e como transpor o aprendizado para casa e outros ambientes.

Leia também este artigo sobre como estimular crianças com TEA.

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