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O diagnóstico do autismo e a emissão de laudos

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O diagnóstico do autismo é um processo singular de cada paciente. Ainda que existam padrões de sintomas e comportamentos, é importante lembrar que o profissional adequado e a documentação correta ajudam muito. Isso se dá justamente pela ampla gama de sinais de TEA e a importância de identificar padrões.

Como alguns dos sinais mais relevantes do autismo – por exemplo, a dificuldade para brincar e o atraso no aparecimento da fala – aparecem nos primeiros anos de vida, famílias preocupadas buscam ajuda de profissionais de saúde. Outra razão para se atentar é que alguns sintomas são menos visíveis durante a infância. É o caso de irritabilidade e hipersensibilidade.

Sendo assim, é essencial que profissionais de saúde estejam atentos para todas as possibilidades do diagnóstico de autismo. E existem ferramentas que podem auxiliar no processo.

O que o profissional da saúde deve fazer

O neurologista Marcelo Masruha explica que ainda existe um desafio importante no diagnóstico de autismo: estabelecê-lo precocemente. “Sempre que houver uma suspeita de autismo como, por exemplo, no caso de uma criança que não esteja falando após 1 ano de idade, que não se comunique por gestos, que tenha interesses e comportamentos restritos e repetitivos, esta criança deve ser encaminhada para avaliação com um neurologista infantil ou psiquiatra infantil” diz o médico e professor. “Esses profissionais são os mais capacitados para estabelecer o diagnóstico e, conforme a necessidade, emitirem um laudo contendo o mesmo”.

Outros desafios para os profissionais de saúde no processo de diagnóstico dizem respeito aos registros de sintomas em crianças. É importante atentar para o conjunto de comportamentos que possam ser sinais. Crianças que apresentam movimentos repetitivos, que tenham hipersensibilidade a ruídos e texturas, que não conseguem estabelecer um diálogo, entre outros.

Mas o profissional salienta que, no caso de crianças pequenas, existem diagnósticos diferenciais que podem dificultar e se confundir com o diagnóstico de autismo “como, por exemplo, o transtorno do desenvolvimento da linguagem associado ao transtorno do déficit de atenção e hiperatividade”, diz Dr. Marcelo. “São crianças agitadas, desatentas e que não estão falando adequadamente. Muitas vezes diferenciar ambas as condições é difícil.”

Depois do diagnóstico do autismo

Mesmo com os desafios, ele acredita que o processo de diagnóstico do autismo foi facilitado nas últimas décadas com a diminuição do estigma. “Ao longo das últimas duas décadas, houve um grande aumento do número de casos do transtorno do espectro autista, e isso parece ter ocorrido por uma maior conscientização da sociedade com relação ao problema. Assim, o preconceito já foi muito maior e as campanhas para informação e esclarecimento da sociedade têm surtido efeito”.

O laudo também tem um papel depois do diagnóstico do autismo. “O médico que avalia o paciente, ao emitir um laudo, deve obrigatoriamente colocar qual a sua hipótese diagnóstica e indicar as terapias necessárias. Nem sempre o diagnóstico de certeza pode ser confirmado em uma primeira avaliação. Porém, o seguimento geralmente permite que ele seja estabelecido”, explica Masruha. Além disso, mesmo que haja dúvida com relação ao diagnóstico, a criança deve ser encaminhada para as terapias, a fim de que estas não sejam postergadas.

Como é dito pelo neurologista, o laudo é útil “para indicar mudanças, encaminhamentos para as terapias e para assinalar as evoluções que o paciente tem apresentado”, conclui.

Quer saber mais sobre as diferentes possibilidades no acompanhamento do autismo? Veja como a análise de comportamento ajuda profissionais de saúde e seus pacientes infantis.

(Assista ao vídeo para saber como identificar os sinais do autismo)

 

Créditos da imagem: freepik

3 comentários

  • Olá!
    O deputado Romário fez um projeto de lei para que autistas tivessem laudo permanente,ou seja, a vida toda depois de diagnosticado.
    Não sei se ele consultou algum profissional de saúde para isso, mas eu vejo como algo que, apesar de facilitar a vida dos pais, talvez não fosse algo bom para os autistas.

    • Olá, Ana.
      Realmente o projeto de lei proposto havia algumas falhas como o número de tutores por alunos. A lei continua em análise, mas houve uma grande movimentação para alertar as falhas na proposta, esperamos que ela seja revisada e se adeque de fato as necessidades das pessoas com espectro.

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