Questionamentos como “o autismo leve pode piorar?”, assim como termos “sair do espectro”, “deixar de ser autista” ou “o grau de autismo piorou” são muito comuns na comunidade de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O uso dessas expressões pode causar dúvidas ou criar expectativas erradas sobre essa condição. Então, preparamos esse texto para trazer clareza sobre o assunto. Mas antes de explicar se o autismo leve pode piorar ou não, é importante entendermos esses termos – autismo leve e nível 1 de autismo.

Após a leitura, deixe nos comentários o seu ponto de vista e sinta-se à vontade para compartilhar alguma experiência pessoal.

Entenda os termos: autismo leve e nível 1 de autismo

 

Desde 1952, a Associação Americana de Psiquiatria (APA) faz a publicação do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Esse material se tornou um guia para a classificação de diagnósticos de transtornos mentais, utilizado por médicos do mundo todo. Com o avanço dos estudos, à medida que novas descobertas científicas foram surgindo, versões atualizadas do manual foram anunciadas.

Até alguns anos atrás, o DSM entendia que uma pessoa com autismo leve tinha um comprometimento menor das funções cognitivas, ou seja, com desafios que proporcionavam uma menor interferência em seu dia a dia.

Mas em 2013 esse termo recebeu uma nova roupagem na quinta edição do Manual, conhecida como DSM-5. Nele, o TEA passou a ser classificado com três níveis de gravidade. Segundo Joice Andrade, neuropsicóloga e diretora científica do Jade Autism, “justamente por se tratar de um espectro, o transtorno passou a ter níveis de classificação”.

Com essa mudança, o termo “autismo leve” se assemelha ao que hoje é conhecido como nível 1 de autismo. Mas, por fazer parte do senso comum, a expressão ainda é muito utilizada.

Graus de autismo

 

Conforme já apresentamos no conteúdo sobre asperger, confira abaixo os diferentes graus de autismo:

 

Nível 1

Pessoas diagnosticadas com o Nível 1 costumam apresentar menos interesse ou dificuldade em iniciar interações sociais, oferecer respostas atípicas ou não sucedidas para abertura social, ter dificuldade para conversar ou tentar fazer amigos de forma estranha e mal sucedida.

Segundo Joice Andrade, autistas que se encaixam neste nível também “podem apresentar dificuldade para trocar de atividades e independência limitada por problemas com organização e planejamento”.

Mesmo com sintomas mais leves e com independência para realizar muitas tarefas, o DSM-5 esclarece que o apoio terapêutico é indispensável para autistas nível 1.

Nível 2

Pessoas diagnosticadas com Nível 2 têm prejuízos mais aparentes. Mas apesar de necessitarem de suporte substancial, muitos ainda conseguem ter alguma independência.

Seus desafios podem incluir um maior déficit na comunicação verbal e não verbal, aflição para mudar o foco ou a ação, comportamentos repetitivos, sensibilidade à luz e aos sons. Em alguns casos, o funcionamento mental pode ser abaixo da média.

Nível 3

Pessoas diagnosticadas com o nível 3 do espectro apresentam graves prejuízos no funcionamento. Por isso, podem necessitar de muito suporte, até mesmo para realizar as tarefas de autocuidado e higiene.

A abertura social dessas pessoas é muito limitada, com respostas mínimas à interação e pouquíssima sensibilidade a determinados estímulos sensoriais. A dificuldade para lidar com mudanças fica ainda mais extrema, fazendo com que a troca de foco ou ação gere ainda mais aflição.

Além disso, apresentam comportamentos repetitivos ainda mais graves e grande prejuízo intelectual e de linguagem, podendo até mesmo não se comunicar verbalmente.

Agora que você já conhece os diferentes graus de autismo, vamos às principais perguntas do texto, começando por “o autismo leve tem cura?”

O autismo leve tem cura?

 

Os questionamentos sobre uma possível cura costumam surgir principalmente quando autistas diagnosticados com nível 1 alcançam bons resultados nas terapias, conseguindo desenvolver suas habilidades e ganhar autonomia.

Há muitas discussões e polêmicas sobre a possibilidade de “sair do espectro” ou “deixar de ser autista”. Mas, para trazer clareza sobre isso e encontrar uma resposta para esses questionamentos, é importante lembrar que o autismo não é uma doença, portanto não tem cura. O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento, que hoje é classificado como um tipo de deficiência.

Contudo, apesar de não haver cura, é possível que, com os estímulos e tratamentos corretos, uma pessoa diagnosticada com autismo nível 1 ou 2 e 3, tenham os sintomas regulados a ponto de superarem as limitações do TEA, passando a ter autonomia própria para viver sua vida sem suporte substancial. Mas para além do desenvolvimento, também surgem as dúvidas sobre a regressão dos comportamentos, onde muitos se perguntam “o autismo leve pode piorar?”

O autismo leve pode piorar? É possível sair do espectro?

 

Sim! É possível haver melhora ou regressão em relação aos níveis de autismo.

A carência de acesso aos tratamentos e medicações, o abandono, inconstância nas terapias ou a falta de um acompanhamento eficiente podem ocasionar regressão no desenvolvimento, fazendo com que a pessoa passe do nível 1 para o 2, por exemplo.

Além disso, segundo o Dr. Marcelo Masruha, neurologista e diretor médico do Jade Autism, isso também pode ocorrer, inclusive, a partir de outros períodos de regressão, como após a puberdade. Outro fator que pode ocasionar a regressão é o surgimento de outras comorbidades, como no caso da esquizofrenia, que pode surgir no período pós-puberal, ou no contexto de uma epilepsia de difícil controle.

Por isso, é indispensável que a criança seja diagnosticada o quanto antes e receba o acompanhamento terapêutico desde cedo. Dessa forma, ao desenvolver suas habilidades, ampliar sua capacidade cognitiva e adquirir mais independência, a pessoa com TEA pode migrar para um grau mais leve de autismo. Afinal, o objetivo dos tratamentos é promover uma maior qualidade de vida, fazendo com que os sintomas fiquem mais brandos.

Lembre-se: mesmo com a melhora dos sintomas ou mudança de nível, o diagnóstico do autismo permanece, não há cura. Por isso, os tratamentos e medicamentos também precisam continuar.

 

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Jade Autism: jogos que auxiliam no desenvolvimento de crianças com TEA

Como vimos, um tratamento e estímulos adequados podem contribuir para que as pessoas com TEA tenham uma melhora nos sintomas e, até mesmo, uma mudança em relação ao grau de autismo.

Para isso, criamos o Jade Autism, um aplicativo de jogos terapêuticos e educativos visando desenvolver as habilidades cognitivas de pessoas com TEA e outros distúrbios de aprendizagem.

Na plataforma, médicos e terapeutas também podem acompanhar o desempenho de seus pacientes por meio dos relatórios gerados. Isso possibilita que o tratamento seja mais dinâmico e assertivo, conforme as necessidades de cada um.

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Para mais informações, entre em contato conosco pelo email: contato@jadeautism.com

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