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Natal e Autismo: dicas para superar os desafios das festas natalinas

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Chegamos ao Natal, época do ano onde muitos consideram como à melhor. Seja pelo feriado, oportunidade de estar com a família ou as comidas típicas. Mas o que para alguns possa ser um momento de diversão, o Natal para pais de crianças com autismo, pode ser uma ocasião bem estressante.

Nessa época do ano as crianças recebem muitos estímulos que podem se tornar gatilhos para crises. Além de que são dias onde normalmente a rotina da criança não será seguida. Separamos algumas dicas que podem ajudar a tornar a celebração de natal mais confortável para as crianças com autismo. Confira!

 

Natal e Autismo: Estereotipias

Nessa época ocorrem muitas mudanças ao redor da criança com autismo. A decoração da casa e da vizinhança costuma mudar, na televisão as propagandas e programas tendem a se restringir a esse tema. Outra mudança são as visitas de familiares e amigos e os presentes que recebemos.

Tudo isso pode desencadear em comportamentos estereotipados e um auto isolamento da criança. Mas, por mais que isso possa incomodar os pais, essa é uma defesa da criança com autismo. Segundo. Joe Santos, do Vencer Autismo: “Esses comportamentos são uma forma das crianças com autismo se autorregularem e tomarem conta de si mesmas.”

É importante permiti que a criança tenha os comportamentos repetitivos. Essa é uma forma dela absorver o que esta acontecendo e tomar conta de si e equilibrar seu sistema nervoso.

Se os pais tiverem oportunidade e disponibilidade, além de deixar a criança ter o comportamento repetitivo, eles devem se juntar a ela. Essa é uma oportunidade para criar uma relação com a criança e saber mais sobre ela.

 

Convívio Social: respeite o tempo da criança

Como já abordamos, no natal costumasse receber visitas que talvez não sejam tão frequentes na rotina da criança com autismo. Uma boa oportunidade para trabalhar a socialização e criar laços da criança com a família.

Nesses eventos sociais é necessário que os adultos observem e saibam os limites da criança. Quando expostos por muito tempo a esses momentos, isso pode causar um excesso de estímulos sensoriais e causar incomodo e irritação na criança.

“Nessas horas, é importante deixar a criança se regular de outras formas e ficar mais quieta. Os pais precisam ter em mente que não é porque essas dificuldades não sejam perceptíveis que elas não causem sofrimento à pessoa autista”. Explica Sophia Mendonça, do blog Mundo Autista.

 

A importância da previsibilidade para o controle da criança

A necessidade de uma rotina para uma criança com autismo, não é novidade. No Natal, busque criar uma previsibilidade dos acontecimentos das confraternizações para ela.

Explique com antecedência o que vai acontecer, quando e onde vai acontecer e o que vai ser divertido para ela. O uso de recursos visuais vai facilitar o entendimento por crianças verbais e não verbais. Mostre fotos das pessoas que irão participar, explique o significado dos presentes e da festa.

Isso irá minimizar crises, comportamentos desafiantes ou resistência a participar/fazer certas coisas.

 

Conscientize os familiares e amigos

Uma das nossas sugestões foi na criação da rotina e previsibilidade, incluir fotos das pessoas que estarão presentes para a criança se familiarizar.  Isso também deve ser feito com os amigos e familiares que estarão presentes.

É importância mostrar/explicar  à família como compreender a criança. Prepara os convidados para entender sem estranheza as diferenças da criança e as adaptações que talvez precisem ser feitas, como: servir a ceia mais cedo.

Apesar de uma tradição, é importante respeitar o fato de que é muito difícil para o autista entender mudanças tão simples como uma hora diferente para servir o jantar em um único dia do ano.

Segundo Sophia, “é preciso conscientizar a família de que mau comportamento é comunicação de algum desconforto vinda de alguém que ainda não desenvolveu mecanismos para se expressar melhor”. “Em qualquer ocasião, vale falar abertamente e se possível com antecedência sobre o autismo, porque irá não apenas aumentar a conscientização tão necessária, mas irá também poupar a família dos dissabores que vêm da desinformação e que podem estragar qualquer festa”, conclui.

 

Cuidado com os presentes muito estimulantes

No Natal a troca de presentes é comum, mas devemos avaliar se o presente que estamos pensando em dar não terá estímulos que contribuirão para um excesso de estimulação de crianças com autismo.

O fundador do Vencer Autismo, aconselha, “com brinquedos mais tradicionais, como livros, carrinhos, bonecas ou trabalhos manuais, elas podem usar a sua capacidade para estimular o próprio cérebro ao invés de usar uma máquina para fazer o trabalho por elas.”

Converse com a família e se preciso ajude-os na escolha de um bom brinquedo (de preferência que não pisque nem apite). Dê sugestões de presentes que ajudem a criança, como almofadas sensoriais, areia seca, trampolim ou bolas de pilates, bolas de água, etc.

 

Explique as brincadeiras de amigo secreto e a figura do Papai Noel

Converse sobre as brincadeiras tradicionais do Natal. “Uma das características que muitas crianças com TEA apresentam é a dificuldade com pensamentos ou fatos simbólicos e dificuldade em fazer leitura social, como interpretar sentimentos e se colocar no lugar do outro.” diz, Joice Andrade, psicóloga e neuropsicologa.

Normalmente, o ponto de vista de uma criança com TEA é 8 ou 80, não existe meio verdade. Ou uma coisa é certa ou é errada, o que torna a possibilidade de interpretar e simbolizar sempre difícil.

Essa dificuldade pode acabar refletindo nas típicas brincadeiras de fim de ano como amigo oculto, ou amigo x como são conhecidas. Uma dica é explicar a brincadeira passo a passo, e o motivo de não se revelar quem foi o amigo tirado até o momento da brincadeira. Você também pode explorar o potencial imitativo, instruindo a criança a observar as primeiras pessoas que dão a dica do amigo que tirou e imitar quando for a sua vez.

 

Respeite as escolhas da criança e mantenha a rotina

Por mais que esses eventos sejam importantes para a socialização da criança, respeite seus limites e escolhas.

“Se o  autismo do seu filho(a) for de grau leve, pergunte a ele se está confortável em participar da  atividade A ou B e respeite sua escolha. Faça o convite, mas não insista a ponto de gerar ansiedade. Nos casos moderados e graves, dê opções de escolha mais  objetivas, descrevendo uma e outra alternativa, mas mantenha  os pontos essenciais da rotina (horários de alimentação, de dormir etc) para não desencadear uma crise antes mesmo do início da confraternização; e deixe a criança com roupas confortáveis. Em todos os casos, valorize e pontue os comportamentos adequados. E lembre-se de que o autismo não tira férias.” diz Raquel Ely, idealizadora do instituto UniTEA.

 

Prepare um cantinho calmo para o pequeno

Em um contexto diferente do que vivemos esses ano com a pandemia do covid-19. É um costume passarmos o Natal na casa de familiares, sendo um ambiente e contexto diferentes do que a criança com autismo está habituada a estar.

Nesse sentido é importante se prepara com antecedência. Pergunte à sua família se podem disponibilizar um quarto separado para a criança poder ir quando precisar. A época das festas pode ser um bombardeamento sensorial, e ter esse espaço disponível poderá ajudá-la a não ficar tão sobrecarregada.

“De vez em quando, pode ser útil levarmos a criança para este espaço e passar algum tempo lá, para ela se descomprimir e acalmar”, explica Joe.

 

Conclusão

Nós do Jade Autism, desejamos a todos boas festas neste período tão especial. Que você possa comemorar junto daqueles que ama, mesmo que à distância.

Que essa época do ano seja de renovação e que possa lhe trazer paz, felicidade, carinho e esperança.

Um Feliz Natal!

 

Esse texto foi originalmente desenvolvido pela equipe do site Twinkl.

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