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Estereotipias: estratégias para lidar com comportamentos repetitivos

estereotipias no autismo

 

As estereotipias (stims) são sinais comuns do autismo. Se trata do termo utilizado para nomear ações repetitivas que ocorrem no movimento, na postura ou na fala.

As estereotipias não ocorrem todo o tempo, no entanto, as causas são diversas, sendo assim, podem ocorrer quando a pessoa se sente hiper estimulada, hiper excitada, ociosa, ansiosa ou sobrecarregada sensorialmente. A partir disso ela emite comportamentos com o objetivo de se autorregular. Contudo, alguns comportamentos estereotipados podem acontecer devido à uma busca sensorial, isso quer dizer que a criança gosta da sensação de um determinado movimento e começa a repeti-lo, buscando se saciar sensorialmente.

Pessoas com TEA são frequentemente estigmatizadas por produzirem estereotipias, por isso é preciso haver uma conscientização sobre as características neuro diversas do ser humano, buscando a promoção da inclusão. Por outro lado, se faz necessário analisar quando as estereotipias começam a prejudicar o desenvolvimento da criança, pois ao emitir comportamentos de estereotipia, a criança normalmente foca no movimento ou fala e deixa de observar o contexto, diminuindo suas oportunidades de aprendizagem e prejudicando sua socialização e integração.

 

Quais são as estereotipias?

 

As estereotipias variam em como se manifestam. São repetições e rituais que podem ser linguísticos, estereotipias motoras e até de postura. Geralmente são comportamentos sem explicações, sem motivo aparente. Porém, a pessoa com autismo sente a necessidade de emitir tais comportamentos para conseguir lidar com uma situação.

Os tipos de estereotípicas ou movimentos repetitivos mais comuns no TEA envolvem:

 

  • balançar o corpo para frente e para trás
  • balançar as mãos (conhecido como “flapping”)
  • bater os pés no chão ou em algum objeto próximo
  • andar nas pontas dos pés
  • girar objetos ou girar em volta do próprio corpo
  • cruzar e descruzar as pernas muitas vezes
  • fazer sons repetitivos ou repetir sílabas sem parar
  • estalar os dedos
  • roer unhas sem conseguir parar
  • movimentar os dedos na frente dos olhos

 

Com esses comportamentos, a criança se distrai com as repetições e deixa de adquirir as habilidades que são ensinadas a todos. Pode também fragmentar a memorização e a sequenciação necessárias para consolidar a aprendizagem.

 

Como ajudar a criança?

 

Para auxiliar as crianças autistas que não conseguem evitar as estereotipias, é importante identificar quais são as causas e como elas precisam aliviar. Isso porque sabendo quais são os estímulos antecedentes a estereotipia, pode-se pensar em estratégias para evitar ou diminuir esses comportamentos. Vale ressaltar que essa intervenção deve ocorrer quando esses comportamentos causam algum tipo de prejuízo à criança e não por uma busca de enquadramento social.

Em todo caso, cada indivíduo deve ser analisado de forma singular por uma equipe multidisciplinar, e traçar um plano de intervenção que vise diminuir os prejuízos causados pelas estereotipias. Esta equipe pode envolver médico neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e uso de medicação.

 

Maneiras de trabalhar as estereotipias

 

Uma forma de auxiliar nesses contextos é ampliar o repertório comportamental da criança, ou seja, auxiliar para que ela encontre outros caminhos para se autorregular e se estimular. Para isso vamos imaginar a seguinte situação: Uma pessoa com TEA em pré-vestibular em uma prova importante, ocorre uma situação estressante durante a prova, como um aluno que é pego colando e gera uma discussão. Para aliviar o estresse, se inicia um ritual de balançar o tronco. Isso faz com que a pessoa não consiga ler e responder as questões e perde tempo de prova, logo, seu desempenho será diretamente afetado.

Pensemos agora então em uma possível solução, como essa situação poderia ser evitada? Sabendo que uma prova já é uma situação estressante por si só, a preparação para ela inicia antes da prova começar, com uma técnica de respiração, por exemplo. Ao entrar na sala, deve-se avaliar o lugar mais propicio para pouca movimentação, como uma cadeira ao lado da parede e na frente da sala. Com isso diminuímos possíveis estímulos de movimentação de outras pessoas em um dos lados. Além disso, caso o ritual não consiga ser evitado, pensemos em um ritual silencioso e objetivo, mas que traga alívio sem muitos prejuízos. Como por exemplo, nomear silenciosamente nomes de filmes de uma saga de interesse, contar até 10 acompanhando nos dedos e respirando fundo a cada número, dentre outros.

O exemplo e a solução apresentados são simples, no dia a dia, as situações são mais complexas. Mas o ponto levantado é a importância da ampliação do repertório de autoregulação e de que exercer uma previsibilidade sobre os acontecimentos, pode contribuir nesses casos. Lembre-se de que isso deve ser trabalhado previamente em um ambiente controlado com uma equipe multidisciplinar e em outras situações estressantes para garantir sua eficácia em momentos importantes.

Por último, pesquisas mostram que a prática constante de esportes também beneficia pessoas autistas por diminuir as estereotipias motoras. Confira a lista de esportes e outras orientações que preparamos clicando – AQUI!

 

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