No dia 19 de maio é celebrado o Dia Mundial de Doação de Leite Humano. O objetivo dessa data é promover a conscientização sobre a importância da doação de leite materno e divulgar os bancos de coleta, visando diminuir a mortalidade infantil.

 

Dificuldade de amamentação

 

Segundo uma pesquisa realizada pela Famivita, 31% das brasileiras têm dificuldade na amamentação. Um dos fatores que contribuem com esse dado é a baixa produção de leite materno.

As causas que interferem nessa produção podem ser emocionais, físicas ou sociais, como:

  • depressão pós-parto
  • dor excessiva ao amamentar
  • doenças
  • necessidade de consumir remédios que afetam o leite
  • perda de sangue excessiva durante o parto
  • mamilo invertido ou machucado
  • críticas familiares
  • pega incorreta da mama
  • preocupações ou estresse
  • falta de informação e apoio

 

As mamães de bebês prematuros também podem sofrer com a falta de leite devido ao estresse, problemas de saúde durante o parto e baixa produção de leite por falta de amamentação.

Segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil, dos 3 milhões de bebês que nascem por ano, cerca de 332 mil são prematuros, com baixo peso (menor de 2,5kg) ou têm alguma patologia gastrointestinal. A maioria dessas crianças precisa ser internada e muitas não podem ser alimentadas diretamente por suas mães. Nesses casos, o aleitamento materno é essencial para aumentar suas chances de sobrevivência e recuperação.

 

A importância da doação de leite

 

O leite materno é o alimento essencial para recém-nascidos. Por ter todos os nutrientes e características que o organismo de um bebê precisa, o leite humano é considerado um alimento completo e suficiente para os pequenos até os 6 meses de vida. Ele ajuda a fortalecer o sistema imunológico, prevenir doenças futuras, promover a nutrição adequada e contribuir para o desenvolvimento afetivo e psicológico do bebê.

Estima-se que a amamentação pode reduzir em até 13% a morte de crianças com menos de 5 anos, tornando-se o meio mais econômico e eficaz de diminuir a mortalidade infantil.

Segundo o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, “o leite humano é superior a qualquer tipo de fórmula. Para cada litro de leite oferecido para as crianças prematuras é possível diminuir dois dias de permanência na UTI neonatal e a alta hospitalar é mais precoce, pois as crianças ganham peso mais rápido e ficam mais resistentes”.

Importante: apesar do leite materno ser mais nutricional que fórmulas, em algumas situações as mulheres têm dificuldade de amamentar e a utilização da fórmula entra como substituição/complemento. Isso não é um problema, se você é mãe e está passando por isso, não se sinta pressionada ou culpada por algo que não está no seu controle.

 

O Brasil é referência mundial em doação de leite materno

 

O Brasil tem a maior e a mais complexa rede de Bancos de Leite Humano (BLHs) de todo o mundo, contando com 225 Bancos de Leite (BLHs) e 216 Postos de Coleta (PCLHs) espalhados pelo país. Além de coletar, processar e distribuir esse alimento, os BLHs também oferecem orientação e apoio à amamentação de forma gratuita. Já os PCLHs são unidades fixas ou móveis, vinculadas a bancos de leite e podem estar localizadas dentro ou fora de hospitais.

A Rede de Bancos de Leite Humano (rBLHs) brasileira é referência mundial, vista como um modelo a ser seguido por aliar o baixo custo à alta qualidade. Em 2001, a rBLH foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das maiores contribuintes para a redução da mortalidade infantil mundial na década de 1990. Segundo dados fornecidos pela rBLH, de 1990 a 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil reduziu 70,5%.

O Ministério da Saúde afirma que, entre 2009 e 2016, a estratégia de Bancos de Leites Humano (BLHs) do Brasil já beneficiou mais de 1,8 milhão de recém-nascidos, contando com o apoio de mais de 1,3 milhão de mulheres doadoras, totalizando 1,4 milhão de litros de leite coletados.

Mas, mesmo com mais de 400 bancos e postos de coleta de leite, a quantidade de doações cobre apenas 60% da demanda. Isso significa que 40% dos recém-nascidos que dependem dessas doações não têm acesso ao leite materno e a todos os benefícios para a saúde que ele proporciona.

Por isso, gostaríamos de incentivar você a promover esse gesto humanitário que pode ser decisivo para a vida de um bebê.

 

Benefícios de doar

 

Conheça os benefícios da doação de leite materno:

 

– redução da desnutrição infantil

– redução da mortalidade infantil

– reduz a possibilidade de desenvolvimento de doenças na vida adulta como diabetes, obesidade, hipertensão e colesterol alto

– segurança alimentar do bebê

– para as mamães, é importante saber que a amamentação ou a doação de leite ajudam a reduzir as chances de desenvolver câncer de mama e de útero

 

Mitos e verdades sobre doação de leite

 

  • Muitas mulheres não doam por ter medo de faltar leite para seu bebê, mas é importante saber que quanto mais a mulher esvazia as mamas, mais leite ela produz. Portanto, quanto mais você amamentar e doar, mais leite será produzido!
  • Não existe leite materno fraco ou com qualidade inferior/superior ao outro! Mesmo no caso de mamães com quadros de anemia ou desnutrição leve a moderada, o leite produzido tem a mesma constituição, com todos os nutrientes necessários para o bebê. Mas, nesses casos, é indispensável o acompanhamento médico para restabelecer a saúde da mãe.
  • O tamanho dos seios não influencia a quantidade de leite produzido, afinal, o tamanho é definido pela quantidade de tecido gorduroso na região, enquanto o leite depende da glândula produtora de leite. Por isso, é mito pensar que mulheres com seios pequenos terão mais dificuldade para amamentar/doar.
  • Não é necessário ter uma produção grande de leite para se tornar doadora, afinal, não existe quantia mínima para doação: 1 ml de leite pode ser suficiente para nutrir um recém-nascido a cada refeição; 300 ml de leite podem ser o suficiente para nutrir até 10 recém-nascidos por dia.

 

Quem pode doar

 

Todas as mamães que estão amamentando seus bebês podem estar aptas a doar. Basta estar saudável e não ingerir qualquer medicamento que possa interferir na amamentação.

 

Como doar

 

Diferentemente do processo de doação de sangue, que necessita de apoio presencial para ser realizado, a doação de leite pode ser feita em casa. Nos postos de coleta, que normalmente acontecem em hospitais, esse serviço é oferecido de forma gratuita.

Para a doação em casa, siga os passos a seguir:

 

Passo 1- Prepare o recipiente para guardar o leite recolhido:

 

1. Lave frascos de vidro de boca larga com tampas de plástico. Lembre-se de remover os rótulo e papéis de dentro das tampas

2. Use uma panela para cobrir os frascos e as tampas com água e ferva-os por 15 minutos

3. Deixe a água escorrer até secar sob um pano limpo

4. Feche os frascos sem tocar na parte interna das tampas

 

Passo 2- Faça a higiene pessoal antes de iniciar a coleta:

 

1. Lave as mãos e braços com água e sabão. Lave as mamas apenas com água. Seque com toalhas limpas

2. Use touca ou lenço para cobrir os cabelos, use máscara ou fralda de pano sobre a boca e nariz para evitar que gotículas de saliva caiam no leite doado

3. Evite conversar durante a retirada do leite

 

Passo 3- Retire o leite das mamas:

 

1. Massageie as mamas fazendo movimentos circulares da aréola (parte mais escura das mamas, em volta dos mamilos) para o corpo

2. Coloque o polegar acima da linha em que acaba a aréola e, os dedos indicador e médio, abaixo da aréola

3. Firme os dedos e empurre para trás em direção ao corpo, depois aperte o polegar contra os outros dedos até sair o leite

4. Descarte as primeiras gotas ou jatos

5. Coloque o frasco de vidro abaixo da aréola para colher o leite. Não encha o vidro até a borda, deixe um espaço de dois dedos até a tampa

6. Após terminar a coleta, feche o frasco imediatamente e o armazene

 

Passo 4- Como armazenar o leite colhido:

 

1. Anote nos vidros o dia e hora da coleta do leite e, depois disso, guarde-os no freezer ou congelador

2. Caso o frasco não tenha ficado cheio, é possível completá-lo em outro momento. Mas para isso é necessário preparar um copo de vidro fervido por 15 minutos, seguir o passo a passo dos itens 1 e 2, extrair o leite nesse copo e, depois, colocar o leite recém extraído sob o que já estava congelado.

3. O leite extraído poderá ficar armazenado na geladeira por até 12 horas e no freezer ou congelador por até 15 dias. Dentro desse período, solicite a coleta domiciliar ou transporte-o até um banco de leite humano/posto de coleta.

 

Após a doação, os leites coletados são analisados, pasteurizados e submetidos a um rígido processo de controle de qualidade. Tudo isso para que bebês prematuros e que não podem ser amamentados por suas mães recebam um alimento de qualidade.

 

Onde doar

 

Para encontrar um Banco de Leite Humano (BLH) ou um Posto de Coleta (PCLH) próximo à sua residência, informe-se pelo telefone 136 ou busque por sua cidade/estado clicando aqui.

Doe leite, promova a esperança e ajude a salvar vidas!

 

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