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Diferença da ABA no Brasil e Estados Unidos

A ABA é um conjunto de técnicas reconhecido cientificamente que visa o tratamento de pessoas com autismo. Ainda que a sua eficácia seja comprovada e tenha se popularizado no Brasil, há diferenças na forma como é aplicada nos EUA. Conheça as diferenças no nosso blog e saiba como o Brasil trilha o caminho em busca de experiências promissoras.

A Análise do Comportamento Aplicada, ou ABA, é uma abordagem reconhecida cientificamente que visa o tratamento de pessoas com autismo. Ainda que a eficácia do conjunto de técnicas seja comprovada, há certas questões que comprometem a intervenção no Brasil. Nesse sentido, há pessoas que afirmam que a ABA não teve o efeito esperado.

A principal questão que impacta a intervenção por meio da ABA no Brasil é a formação dos profissionais envolvidos com o tema. A aplicação da ABA requer experiência. No Brasil, são poucas as pessoas com formação e experiência adequada para aplicação da técnica.  Ou seja, há analistas do comportamento excelentes, mas são poucos que têm vivência no tema e oferecem um tipo de serviço intensivo, normalmente procurado pelas famílias.

Diferenças do ABA aqui e lá

Segundo Lucelmo Lacerda, doutor em Educação e pós-doutorando em Educação Especial pela Universidade de São Carlos (UFSCar), a principal diferença entre Brasil e Estados Unidos é a forma como a intervenção é realizada.

“Nos Estados Unidos, a intervenção no sistema público é necessariamente baseada em evidências. A ABA é, então, o fio condutor de tudo: da terapia, da terapia ocupacional, da fonoaudiologia, entre outros. Já no Brasil, há normalmente apenas um terapeuta ocupacional e um fonoaudiólogo que realizam sessões curtas de acompanhamento, sem uma intervenção mais intensiva entre um e outro encontro. Não há uma intervenção mais profunda. Aqui, entende-se que o ideal é dar liberdade para os sujeitos se desenvolverem sozinhos, sem um planejamento explícito de habilidades que são necessárias conforme a idade”, afirma.

Uma outra diferença fundamental da intervenção ABA no Brasil e Estados Unidos é que lá ela acontece de forma precoce. “A família não precisa esperar o diagnóstico para começar o tratamento. E a intervenção é intensiva e precoce, diferentemente daqui”, explica Lacerda.

Tangenciando este problema, existe no Brasil uma dificuldade em diagnosticar o autismo de forma precoce. Isso acaba impactando na maneira em que a ABA é utilizada. De acordo com Lucelmo Lacerda, é comum submeter-se ao diagnóstico e, mesmo assim, não fazer nada intensivo no tratamento. No Brasil, prevalece a lógica do tratamento realizado por meio de sessões rápidas, o que não possui evidência de efeito significativo.

Avanços promissores no país

Ainda que a intervenção com ABA esteja ainda incipiente no Brasil, há avanços que apontam para uma melhoria dos serviços. Lucelmo Lacerda cita que as experiências e estudos sobre ABA no país têm um caráter mais de pesquisa. Entretanto, existem alguns casos isolados de estudos e aplicação que se mostram promissores. Em todos eles, o diferencial está na intervenção precoce.

Nesse contexto, Lacerda explica ainda que existem quatro fatores que determinam a eficácia de uma intervenção:

  • Fator genético;
  • Precocidade;
  • Eficiência e intensidade da intervenção;
  • Integridade.

Quando focada nestes pilares, as experiências com ABA tendem a ser bem sucedidas. Diante disso, percebe-se que, hoje, no Brasil, os avanços não estão sedimentados. Mas, sim, sediados em algumas experiências promissoras.

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Comente aqui e teremos o prazer de lhe responder. Fique de olho em nosso blog para acompanhar os próximos posts sobre este e outros temas relacionados ao autismo.

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