O Jade Autism é um aplicativo para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras comorbidades. Seu objetivo é estimular o desenvolvimento da cognição por meio de jogos.

O app foi criado com o auxílio de terapeutas e profissionais especializados no tratamento do TEA. Para trazer clareza sobre seus benefícios para crianças autistas, resolvemos compartilhar com você alguns conceitos que serviram como base para o desenvolvimento dos jogos.

Pensando nisso, criamos uma série de textos sobre funções executivas, que são o conjunto de competências cognitivas trabalhadas no Jade Autism. E neste conteúdo, iremos abordar a percepção visual, uma das habilidades que compõem essas funções tão importantes.

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O que é percepção visual

 

Antes de serem compreendidas, todas as coisas que nós vemos são submetidas a um rápido processo de interpretação que acontece em nosso cérebro. A capacidade de selecionar, organizar e dar significado ao que está sendo visto é o que chamamos de percepção visual.

Por mais que pareça simples e muito natural, essa é uma das mais importantes funções executivas, afinal, ela influencia consideravelmente na compreensão do mundo.

Em seu estudo sobre O redesign da informação no processamento da imagem, Lucilene Inês Gargioni de Souza traz a seguinte reflexão: “esta nossa falta de conhecimento a respeito da visão é a própria inteligência visual. A visão em geral é algo tão rápido e tão seguro, tão fidedigno e tão legítimo e informativo, e supostamente ocorre tão sem esforço, que julgamos que ela é, de fato, algo que não necessita de esforço. Mas a facilidade veloz da visão, tal como a facilidade elegante de um esquiador, ela é ilusória. Por trás da elegância do esquiador estão anos de treinamento rigoroso, e por trás da facilidade veloz da

visão está uma inteligência tão extensa que ocupa quase a metade do córtex cerebral. Nossa inteligência visual interage intensamente com nossa inteligência racional e emocional, e, em muitos casos, as precede e conduz. Compreender a inteligência visual é compreender, em grande parte, quem somos.”

Essa capacidade faz parte de um trabalho cognitivo complexo e deve ser aprimorada desde a infância. Com aprendizado, estímulos e acúmulo de referências visuais, o nosso cérebro vai aprendendo a decifrar e dar significado ao que vemos com mais coerência.

“A experiência visual humana é fundamental no aprendizado para que possamos compreender o meio ambiente e reagir a ele; a informação visual é o mais antigo registro da história humana.” (DONDIS, 1991)

 

O impacto da falta de percepção visual no desenvolvimento infantil e educacional

 

A falha na percepção visual pode resultar na falta de compreensão do que está sendo visto e experienciado. O cérebro tem dificuldades para organizar as informações e interpretá-las corretamente ou completamente.

Quase todas as atividades educacionais demandam muita habilidade cognitiva, motora e de percepção visual. Por isso, além desses desafios, o comprometimento dessa função também afeta fortemente a aprendizagem de leitura, escrita e de matemática por ocasionar dificuldades para:

  • desenhar e escrever
  • diferenciar palavras, letras e números semelhantes
  • perceber contrastes e detalhes finos em uma imagem
  • diferenciar as formas dos objetos
  • desenvolver memória visual e sequencial (dificuldade para memorizar e reconhecer padrões)
  • compreender semelhanças e distinções entre objetos
  • reconhecer algo, mesmo que esteja com dimensão, posição ou cor diferente
  • desenvolver a percepção espacial (dificuldade para entender se um objeto está longe, perto e qual a sua localização em relação a outro objeto)
  • conseguir separar/diferenciar o objeto do plano de fundo
  • reconhecer e diferenciar estímulos bidimensionais e tridimensionais
  • perceber os limites ou contornos de um objeto
  • reconhecer objetos com falhas em seu contorno ou partes não visíveis
  • realizar movimentos coordenados

 

Percepção visual e o autismo

 

As funções executivas estão ligadas a uma parte do cérebro chamada córtex pré-frontal. Por isso, pessoas diagnosticadas com transtornos neurológicos como Autismo, Dislexia e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), podem ter alterações na percepção visual.

Além dos desafios citados no tópico anterior, essa disfunção em pessoas no espectro pode se relacionar também ao comportamento social atípico, prejudicando seu relacionamento interpessoal.

Afinal, o olhar e a linguagem corporal transmitem sentimentos, emoções e outras mensagens importantes, muitas vezes complementares ou mais reveladoras do que as próprias palavras. Mas muitas dessas mensagens podem não ser interpretadas por uma pessoa com TEA devido à dificuldade de dar significado ao que é visto, a falta de memória visual para identificar padrões e a dificuldade de diferenciar estímulos visuais importantes de outros com pouca importância.

 

Como melhorar a percepção visual

 

Além do acompanhamento psicopedagógico, pais e professores podem incentivar as crianças a melhorarem a percepção por meio de brincadeiras e exercícios. Essas atividades devem incentivá-las, por exemplo, a diferenciar objetos por meio de suas características (formato, cor, tamanho e posição), discernir entre os mais claros ou mais escuros, maiores e menores, completar figuras e agrupar objetos parecidos.

Os jogos do aplicativo Jade Autism foram feitos considerando tudo isso, tornando-se um ótimo recurso para que crianças com TEA melhorem essas competências.

Mas para que as atividades sejam assertivas, é importante entender que o sistema visual humano se aperfeiçoa de maneiras distintas em cada fase da vida. Na primeira infância isso ocorre de forma mais acentuada, por isso é o melhor momento para proporcionar esses estímulos visuais:

“Nos primeiros meses de vida, o sistema visual ainda está em desenvolvimento. Do nascimento até a maturidade, o tamanho do olho aumenta em até três vezes, e grande parte desse crescimento é concluído aos 3 anos de idade; um terço do crescimento do diâmetro ocular ocorre no primeiro ano de vida.” (FARRONI, 2013)

Aulas de artes também são grandes aliadas no trabalho dessas habilidades. Segundo Ana Patrícia Ferreira, em seu estudo sobre A Importância do Ensino de Artes Visuais na Educação Infantil:

“Para a criança, a percepção visual é muito importante e pode ser mais bem aguçada nas aulas de artes. A criança na Educação Infantil precisa de estímulo para adquirir novos saberes e se apropriar de seus conhecimentos, por isso, o educador deverá incentivá-la em suas criações, valorizar suas diversas formas de expressão e de se comunicar com o meio (FEREIRA, 2015).

 

Como essa habilidade é desenvolvida no app do Jade

 

Segundo Joice Andrade, neuropsicóloga e consultora terapêutica do Jade, “a percepção nos permite interpretar as formas dos objetos, reconhecendo-os como tal, e assim acessar tudo o que temos armazenado sobre eles. Por exemplo: a bola é redonda, tem o formato de um círculo, ela quica, jogamos futebol com ela, etc.”.

E para demonstrar como essa função executiva é trabalhada, capturamos as duas imagens abaixo do aplicativo Jade Autism. Elas mostram tarefas em que a criança precisa abstrair as informações visuais dos objetos e identificar a forma geométrica das figuras, treinando assim o raciocínio visuoespacial, que envolve as habilidades de percepção, atenção e, também, de abstração.

 

 

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Referências

http://revista5.arquitetonica.com/ojs/index.php/revista5/article/view/183/235

https://cristianefreitas.com.br/2020/05/28/qual-a-importancia-da-percepcao-visual-para-a-aprendizagem-da-leitura-e-da-escrita/

http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/posdistancia/45767.pdf

O REDESIGN DA INFORMAÇÃO NO PROCESSAMENTO DA

IMAGEM https://core.ac.uk/download/pdf/30368004.pdf

 

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