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Como um profissional de saúde pode detectar ou confirmar sinais de problemas de desenvolvimento e comportamentos de TEA?

Como um profissional de saúde pode detectar ou confirmar sinais de problemas de desenvolvimento e comportamentos de TEA?

Saber como identificar o autismo é uma tarefa difícil para profissionais de saúde, mas é crucial para que as intervenções cheguem na hora certa. Ainda que a visibilidade do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e os conhecimentos das famílias sobre o assunto tenham aumentado, ainda existe dificuldade de crianças receberem o diagnóstico correto de forma precoce.

Recebê-lo ajuda muito na efetividade das intervenções dos profissionais como médicos, terapeutas, fonoaudiólogos e outros que entrem em contato com essas crianças, assim podem notar os padrões e as dificuldades delas.

Por isso, a melhor forma para identificar o autismo é o trabalho em conjunto. A busca da família por ajuda médica em conjunto com as perguntas certas por pediatras e o apoio de uma rede de saúde ajudam a tornar esse processo mais rápido e acertado.

 

Quais sinais começam a despertar suspeitas nos profissionais?

“Os sinais comportamentais do TEA costumam aparecer precocemente, durante o desenvolvimento da criança. Muitas crianças já apresentam manifestações por volta de 12 e 18 meses de idade, ou até mesmo antes”, explica Marcelo Masruha, neurologista infantil. “Contudo, cerca de 20% das crianças com autismo apresentam nítida regressão após um período de desenvolvimento aparentemente normal, ao longo dos primeiros dois anos de vida.”

Por isso, há preocupação das famílias, o que as leva a buscar atendimento profissional. Na conversa com os pais, explica a psicóloga Joice Andrade, “já costumam surgir alguns alertas, como por exemplo que costumava ser um bebê muito quieto, dificuldade em imitar sons e movimentos, respostas emocionais inadequadas à situação, agitação motora como auto agressão, costume de balançar o corpo, andar nas pontas dos pés, entre outros”.

Outra faceta de como identificar o autismo pode aparecer quando a criança entra o ambiente escolar: “professores têm contato com muitas crianças diferentes e notam diferenças no desenvolvimento típico e fica mais fácil perceber os sinais”, explica a terapeuta Beatriz Zepelline. Alguns deles são dificuldade de brincar funcional, pouca interação social, atraso na aquisição da fala, criança que não aceita muito bem o toque, que evita contato visual, estereotipias etc. “Deve-se fazer um relatório e pedir uma avaliação de um especialista, porque o psicólogo e outros profissionais vão fazer os encaminhamentos necessários”.

Quais as melhores formas de confirmar? Que recursos podem ser utilizados?

A melhor forma de identificar o autismo é realizando um trabalho interdisciplinar com profissionais como fonoaudiólogo, psicólogo e o médico, diz Joice. Ela completa: “podem ser solicitadas avaliações neuropsicológicas e fonoaudiológicas que investigam desempenho cognitivo e de comunicação da criança identificando prejuízos e potencialidades, fornecendo assim importantes dados para que o médico conclua o diagnóstico.”

Masruha acrescenta que um recurso importante é um questionário, utilizado como instrumento de triagem em todo o mundo, chamado M-CHAT (do inglês, Modified Checklist for Autism in Toddlers).

 

Qual é o próximo passo na relação entre paciente, família e profissional?

Da parte médica, de acordo com Masruha, a criança fará consultas periódicas com o médico, a fim de monitorar os avanços e eventuais problemas que possam surgir. “Contudo,” acrescenta, “o tratamento mais importante é feito por outros profissionais como fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais”.

“A relação entre terapeuta, outros profissionais e criança precisa ser de muita troca, de muita parceria em benefício da criança’, conclui Beatriz.

Leia mais sobre o processo de identificação do autismo e diálogo com pacientes e familiares aqui.

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