Estimular as crianças autistas em seu desenvolvimento cognitivo, social e motor deve ser uma prioridade dos adultos à sua volta, sejam eles familiares, educadores ou profissionais de saúde.

Para garantir que a criança tenha acesso aos estímulos que precisa e estratégias que evitem a sobrecarga emocional e sensorial, é importante entender as necessidades de cada criança e as formas mais receptivas de ensiná-la sem que isso gere problemas como ansiedade e estresse.

Da mesma forma, é importante se preocupar com as terapias e desenvolvimento de crianças com TEA, mas importante lembrar que elas ainda são crianças, precisam de momentos para o lazer. Nesse processo, é importante olhar para elas com empatia e proporcionar momentos de diversão adequados a seus interesses.

Leia mais sobre a importância do lazer na vida das crianças, aqui!

 

Como estimular crianças autistas em um cenário pós-pandemia

 

As crianças autistas também precisam de espaço de convívio com seus pares. Com a pandemia e o isolamento social, mas mesmo antes disso, quando essas crianças não frequentam espaços comuns como escolas e atividades extracurriculares, encontrar esses espaços pode ser uma tarefa mais complexa.

Beatriz Zeppelini, pedagoga e consultora do Jade, explica que a tarefa de encontrar espaços seguros e receptivos é importante em qualquer contexto. É esse tipo de ambiente que estimula a criança a despertar o sensorial, se divertir e aprender.

Todos estamos muito reclusos, mesmo antes da pandemia, esse cenário tende a permanecer agora pós-pandemia. “Nossas relações são muito mais online, via tecnologia, vamos dizer assim”, diz ela. “Precisamos promover as situações que vão ajudar essas crianças e não acabar aumentando a rigidez, a inflexibilidade e a dificuldade de aceitar pessoas novas.”

Para isso, ela acredita que as famílias possam ir inserindo a criança aos poucos. Em convívio familiar, por exemplo, uma criança da mesma idade pode ser uma boa ideia para despertar a socialização.

 

O papel do ambiente escolar no estímulo da criança

 

“É muito importante que tudo que nós fazemos no trabalho escolar, num trabalho terapêutico, num ambiente controlado, que exista a relação de troca com as famílias,” diz Beatriz.

Isso significa também levar em conta o progresso da criança em cada setor e como as intervenções têm acontecido, reflete ela. “Na análise do comportamento aplicada coletamos dados, então podemos mostrar para a família o que está funcionando, como a criança tem desenvolvido o repertório dela”, diz.

“Nosso trabalho está tendo algum efeito? Ter eficácia é importante para uma tomada de decisão, porque às vezes é preciso mudar estratégias”, explica a profissional.

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A participação da família no desenvolvimento

 

Com essa troca, explica Beatriz, o aprendizado é mútuo. Já que a criança continuará o convívio familiar mesmo após as aulas e sessões de terapia, é importante que ela e os familiares tenham ferramentas para estabelecer boa comunicação durante as atividades.

“A família precisa aprender a ensinar, aproveitar oportunidades do ambiente natural, situações do cotidiano para ensinar. E os profissionais que cuidam da criança precisam ter essa troca com a família, para que a família consiga ter essa capacidade.”

“As habilidades precisam aparecer em outros ambientes,” reforça ela. “Não adianta eu conseguir recursos e estratégias para essas habilidades em um ambiente controlado e não passar isso pra família, aí tem uma festinha, tem uma situação familiar em que estão estão todos brincando, a família não sabe como lidar nessa situação, não sabe como estimular a criança, então é importantíssimo que essas que essa troca entre os profissionais e família seja constante.”

 

A importância da rotina para crianças com autismo

“Uma coisa que pode ajudar as famílias em casa é estabelecer uma rotina. Uma rotina que dá previsibilidade para a criança. Saber os momentos de lazer, aulas, isso é importante para elas,” diz Beatriz.

De acordo com ela, com mudanças de rotina da família, a criança pode acabar mais perdida em relação às obrigações e aos momentos de cada atividade. Justamente por isso, ela reforça a importância de adaptar às necessidades de cada uma: “Os suportes visuais podem ajudar muito as crianças”, diz.

Mas ela também lembra que é necessário analisar se o método de organização faz sentido naquele caso: “para cada criança, cada repertório, é preciso um estímulo que evoque a resposta específica.”

Veja o vídeo de como criar uma rotina para crianças autistas – aqui!

 

A diversão como estímulo

 

Outro ponto que a profissional frisa é a importância da ludicidade nas atividades, sejam elas para o lazer ou ensino das crianças. “Não adianta forçar um jogo, uma brincadeira, um brinquedo. É para ser algo divertido e prazeroso.”

Se a criança não responde aos estímulos primários, diz ela, é importante tentar descobrir coisas que sejam interessantes para a criança. Nesse caso, atividades que despertem os interesses já estabelecidos, atividades que não sobrecarregue seus sentidos, atividades que gastem mais ou menos energia, etc.

“É preciso pensar para cada caso uma adaptação”, conclui Beatriz.

(VÍDEO)

Para saber mais sobre o papel da brincadeira na vida das crianças, leia em nosso blog!

 

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