A escola é um ambiente excelente para pessoas com autismo, pois proporciona o desenvolvimento de habilidades cognitivas, de comunicação, crescimento intelectual e outros aprendizados essenciais para a vida em sociedade. Mas, para que isso seja possível, a escola precisa planejar atividades para crianças autistas.

Seja uma instituição de ensino regular ou especial, além do espaço físico adaptado e de uma equipe especializada em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), a forma de compartilhar o conhecimento também precisa ser personalizada conforme a necessidade de cada aluno.

 

Sintomas de autismo que afetam o aprendizado

 

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que influencia no comportamento do indivíduo. Por haver nuances no espectro, os sintomas de autismo variam entre cada pessoa, mas há alguns fatores em comum que ajudam a identificá-lo.

As comunidades médica e científica definem que os sintomas de autismo podem se manifestar isoladamente ou em conjunto. São eles:

 

  • Dificuldade de comunicação
  • Dificuldade de socialização
  • Padrão de comportamento restritivo e repetitivo (estereotipias)

 

Além desses sintomas, há outros sintomas do autismo que podem se manifestar em diferentes níveis de gravidade e influenciar fortemente no aprendizado. Seguem alguns exemplos:

 

  • Atraso no aparecimento da fala ou ausência de fala
  • Dificuldade de estabelecer contato visual e físico
  • Dificuldade ou desinteresse em brincar com outras crianças
  • Isolamento social
  • Rotinas e rituais elaborados e inflexíveis
  • Ansiedade excessiva

 

Diferenças de ensino para uma criança autista e típica

 

Como já explicamos no texto sobre como alfabetizar crianças com autismo, ensinar um aluno no espectro se difere em relação às metodologias utilizadas, ao tempo que esse processo irá levar e na compreensão das características específicas de cada um.

Pois, assim como uma pessoa típica, cada autista percebe o mundo de maneira diferente: alguns são mais visuais, outros se interessam mais por sons ou atividades manuais.

Portanto, além dos sintomas do TEA, os interesses desse aluno devem ser considerados no momento de planejar atividades para crianças autistas e estruturar um plano de ensino. É interessante que os professores e pais façam testes, investiguem as principais dificuldades da criança, experimentem formas de apresentar um conteúdo e invistam no que houver maior adesão.

E para ajudar a escola e a família nesse processo, listamos abaixo atividades de desenvolvimento para alunos autistas.

 

Atividades para crianças autistas

 

Lembre-se: as brincadeiras e atividades para crianças autistas precisam ser adaptadas a partir de seus interesses e necessidades. Então, algumas das sugestões abaixo podem não ser efetivas para alguns alunos autistas ou precisarão de ajustes.

 

Detetive

Divida a turma em duplas, coloque-os de frente para o outro e peça-os que observe o colega atentamente. Depois de alguns segundos, as crianças precisam virar de costas umas para as outras e alterar algo em sua aparência. Ao ficarem frente a frente novamente, ambos precisam identificar o que tem de diferente em sua dupla.

Essa atividade estimula a socialização, a afetividade, a atenção e a criatividade.

 

Colar de macarrão

Para esta brincadeira você precisará de massa de macarrão furadinho (como o penne, por exemplo), tinta e um fio de barbante. Incentive o aluno a pintar o macarrão com cores diferentes e, depois, ensine-o a passar cada macarrão pelo fio. Ao terminar, dê um nó nas pontas, criando assim um colorido colar.

Essa simples brincadeira pode ajudá-lo a diferenciar as cores, treinar suas habilidades motoras e incentivar sua criatividade.

 

Contar histórias

A leitura e o teatro são excelentes atividades para entreter e ensinar as crianças. Leia uma história ou faça um teatro de fantoches com um tema de interesse do aluno com TEA. Depois disso, peça para ele desenhar uma linha do tempo destacando os principais momentos da história.

Esse exercício de imaginar a narrativa é excelente para desenvolver a memória, a atenção, a criatividade e o raciocínio.

 

Brincadeira das Pegadas

Imprima pegadas, peça aos alunos para colori-las. Cole as pegadas no chão, mas nem sempre de forma alternada (cole uma pegada de pé direito, depois uma de pé esquerdo e ocasionalmente repita o esquerdo). Depois disso, brinque com os alunos de andar por essas pegadas, respeitando a seguinte regra: só pode pisar com o pé direito nas pegadas correspondentes ao pé direito, só pode pisar com o pé esquerdo nas pegadas correspondentes ao pé esquerdo.

Essa atividade simples trabalha o equilíbrio, a coordenação motora, a identificação lateral e a consciência corporal.

 

Quebra-cabeças

Excelente jogo para estimular a criança a identificar as formas geométricas, a desenvolver a consciência espacial e usar a imaginação.

 

Descubra qual é o cheiro

Para essa brincadeira você precisará de diferentes potinhos (evite potes transparentes), misturas aromáticas (como café, hortelã e canela), cartões com imagens que identifiquem a comida referente a cada aroma escolhido, pedaços de tecidos e fita crepe. Coloque as misturas nos diferentes potes, cubra-os com o tecido e lacre-os com a fita crepe. Depois disso, peça para os alunos cheirarem os potinhos e associá-los com as imagens que melhor representam cada cheiro.

Essa brincadeira estimula a atenção, memória, olfato e a percepção.

 

Quadro sensorial

Muitas crianças com TEA têm sensibilidade e repulsa a algumas texturas. Mas para ajudá-las a lidar melhor com isso, pode ser interessante criar um quadro sensorial para decorar a sala de aula com um tema de seu interesse.

Caso ela goste do tema “fundo do mar”, por exemplo, selecione revistas, jornais, objetos e materiais que remetem a esse universo (areia, conchas e pedrinhas). Utilize também materiais decorativos, como glitter e papel crepom, que irão proporcionar texturas ainda mais diferentes. Estimule a criança a fazer recortes e colagens para criar o quadro sensorial. Caso ela não queira, crie o quadro e estimule-a a interagir com ele. Com o tempo, ela vai se familiarizar com as texturas, ampliando seu repertório.

 

Uma atividade a cada som

Essa é uma opção interessante para as aulas de educação física. O professor precisará de diferentes instrumentos musicais como tambor, violão e chocalho. A regra da brincadeira é: ao som de cada instrumento, uma atividade diferente. Exemplo: ao tocar o tambor, as crianças devem brincar de pular corda; ao tocar o violão as crianças devem brincar com a bola; ao tocar o chocalho as crianças devem dançar.

Essa brincadeira estimula a memória, a percepção auditiva, consciência corporal, orientação espacial, atenção e a socialização.

 

Dominó

Esse jogo de correspondência estimula a criação de estratégias, o raciocínio lógico e o desenvolvimento de operações matemáticas.

 

O jogo da combinação

Imprima 10 imagens e 10 palavras correspondentes a essas imagens. Recorte tudo do mesmo tamanho, coloque as palavras de um lado da mesa e todas as imagens do outro lado. Depois, peça à criança para combinar as palavras e imagens correspondentes.

Essa brincadeira estimula a atenção, memória e a percepção.

 

Esperamos que este conteúdo tenha sido útil para você planejar atividades adaptadas para alunos com autismo. Em caso de dúvidas, utilize os comentários para deixar sua pergunta.

 

Leia também:

 

Ferramenta que auxilia no planejamento de atividades para alunos com autismo

 

Visando auxiliar as escolas no processo de adaptação do plano de ensino, conforme as necessidades específicas de cada pessoa autista, criamos o Jade EDU.

O software educacional utiliza a tecnologia para estimular o raciocínio lógico, a memória e outras habilidades que as crianças devem desenvolver durante a vida escolar. Além disso, também conta com cursos e treinamentos visando aumentar o conhecimento dos professores sobre autismo.

O primeiro passo realizado na plataforma é uma anamnese pedagógica, que deve ser respondida pelas famílias ou responsáveis pela criança. As respostas revelam suas principais dificuldades e potencialidades e, a partir disso, a ferramenta disponibiliza os exercícios que ajudarão no desenvolvimento.

A escola poderá acompanhar o desempenho dos alunos por meio dos relatórios de aprendizagem gerados pela plataforma. Essa análise de desempenho poderá servir como norteador para professores e orientadores. Esses dados serão úteis para a criação de novas estratégias de ensino, considerando as habilidades que as crianças já têm e as que precisam melhorar.

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