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ABA: a análise do comportamento aplicada ao autismo

Saiba como o ABA pode contribuir para o desenvolvimento de autistas.

O trabalho com crianças autistas pode ser feito a partir de diversas abordagens profissionais. Parte desses esforços objetivam a interação das crianças com outras pessoas. Na psicologia do comportamento, destacam-se programas de intervenção baseados na Análise do Comportamento Aplicada (ABA, da sigla em inglês Applied Behavior Analysis).

“A ABA é um conjunto de técnicas derivadas de uma ciência: a análise do comportamento. Essa ciência tem como base filosófica o behaviorismo radical. A parte que chamamos de ABA é aquela em que são usadas as técnicas produzidas na ciência da análise do comportamento. Nós aplicamos isso na nossa prática em consultórios, em atendimentos, no ensino das pessoas em geral. No caso do autismo, é a análise do comportamento aplicada ao autismo”, explica a pedagoga e psicomotricista Beatriz Zeppelini.

Assim, o objetivo da ABA é ampliar o repertório comportamental da criança. Com isso, espera-se que ela melhore a interação com outras pessoas e tenha menos dificuldades na comunicação social. O conjunto de técnicas visa, também, a diminuição de comportamentos disruptivos.

Eficácia da ABA comprovada por pesquisas

Há diversos estudos que procuram mostrar a importância e a eficácia da ABA, sobretudo, em pessoas com autismo. A Associação para a Ciência do Tratamento do Autismo, nos Estados Unidos, afirma que a ABA é um tratamento que possui evidências científicas suficientes para ser considerada eficaz.

“No Brasil, não há estudos que dizem quais tratamentos têm eficácia. Mas, nos Estados Unidos, existem. São feitos estudos com indivíduos de faixa etárias diferentes, por exemplo. Esses estudos buscam entender quais os conjuntos de práticas têm evidência no tratamento de autismo. E as terapias comportamentais aparecem como um tratamento com fortes evidências científicas”, informa Beatriz.

Assim, em 2017, um estudo norte-americano mostrou os ganhos que a ABA promove em pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Durante a pesquisa, foram analisados dados de 1.468 crianças, entre 18 meses e 12 anos de idade. Elas receberam o tratamento ABA por, pelo menos, 20 horas em um mês. Após 36 meses, percebeu-se que o número de competências das crianças tinha aumentado.

Portanto, a pesquisa acabou confirmando que o tempo dedicado à terapia e sua intensidade são importantes para a eficácia do tratamento. Aqueles que passaram mais tempo na terapia acabaram aprendendo mais habilidades do que os que fizeram menos sessões.

A busca para encontrar um método mais assertivo é constante, a ABA, ou Análise do Comportamento Aplicada, é um método que busca ampliar o repertório de comportamento das pessoas com autismo.

Análise do comportamento não só para autistas

Durante o tratamento com a ABA, são trabalhadas diversas habilidades. Entre elas estão os comportamentos sociais, comunicação, contato visual, escrita, leitura e outras habilidades do cotidiano. Um outro ponto trabalhado nas terapias com a ABA são os comportamentos violentos, os quais não são restritos às pessoas com TEA.

De um modo geral, a ABA não é utilizada apenas para pessoas com TEA. O conjunto de técnicas pode ser aplicado a qualquer pessoa. Entretanto, os estudos sobre o assunto estão focados em sua aplicação aos indivíduos com autismo. Principalmente fora do Brasil.

Tratamento de portas abertas

Existem algumas críticas relacionadas ao tratamento e à visão de que a ABA pode robotizar o indivíduo. Entretanto, o que se sabe é que, devido às características do autismo, uma abordagem mais generalista não funciona. Segundo Beatriz Zeppelini, a ABA se baseia no ensino de diferentes repertórios.

Outro aspecto importante destacado pela psicopedagoga é que a ABA não é uma terapia a ser realizada de portas fechadas. Os avanços devem ser registrados e compartilhados com os pais. “A partir dessa avaliação, vemos quais são os pontos fortes, os pontos fracos e quais áreas estão em defasagem. A partir disso, criamos programas de ensino individualizados e ensinamos novos repertórios”, acrescenta.

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Referências

National Autism Center. (2015). Findings and conclusions: National standards project, phase 2. Randolph, MA: Author.

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