O autismo feminino é uma pauta importante, que precisa ser mais discutida e estudada. Por isso, resolvemos dar continuidade a esse assunto que já havíamos iniciado aqui no blog. Clique aqui para conferir a primeira matéria que publicamos sobre o tema.

Além de fazer parte do senso comum, estatísticas apontam que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta principalmente pessoas do sexo masculino. Uma pesquisa feita em março de 2020 pelo CDC — Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, mostra que o número de meninos diagnosticados com autismo é cerca de quatro vezes maior que o de meninas.

Em contraste com esses dados, tem surgido estudos que indicam que o autismo se manifesta de formas diferentes conforme o sexo biológico. E é importante considerar que a maioria das metodologias de identificação do TEA usam como referência dados de pessoas do sexo masculino. Por isso, a falta de informações sobre as particularidades e sintomas mais comuns em pessoas do sexo feminino podem ocasionar resultados tendenciosos.

Isso pode fazer com que muitas meninas e mulheres do espectro, principalmente com autismo nível 1 (popularmente conhecido como autismo leve), sejam negligenciadas, sofram com atrasos na identificação desse transtorno ou, até mesmo, passem toda a vida sem receber o diagnóstico correto. Portanto, é possível que a diferença do número de meninos e meninas com autismo seja até menor que o apontado no estudo.

 

Sintomas do autismo feminino

 

É comum que os sintomas do autismo feminino não se encaixem em grande parte dos estereótipos do espectro. Em pesquisas realizadas visando identificar as diferenças conforme o sexo biológico, alguns sintomas comportamentais e cognitivos já foram identificados. Listamos abaixo alguns deles:

 

  • A dificuldade ou atraso de fala e linguagem costuma ser um dos primeiros sinais de autismo. Mas, por terem habilidades linguísticas mais avançadas, muitas meninas não se encaixam nesse padrão e apresentam mais facilidade em se comunicar;

 

  • Em comparação com os meninos, as meninas com TEA são mais sociáveis. Elas demonstram mais vontade e proatividade para interagir com os outros;

 

  • Habilidades adaptativas mais fracas em relação aos homens;

 

  • Enquanto meninos apresentam crises nervosas agressivas, as meninas apresentam crises nervosas de choro.

 

  • Meninas autistas costumam apresentar menos estereotipias em comparação com os meninos;

 

  • Enquanto meninos não apresentam ou apresentam uma imitação social muito reduzida, as meninas imitam comportamentos sociais de maneira robotizada;

 

  • Apesar dos níveis mais baixos de interesses restritos, enquanto meninos apresentam interesses hiper focados incomuns para neurotípicos, comumente o foco intenso das mulheres com TEA é direcionado para interesse comuns para neurotípicos, como parceiros(as), celebridades e bandas;

 

  • Nos níveis 2 e 3 de autismo (popularmente conhecido como autismo severo), as meninas têm maiores problemas comportamentais e externalizantes, caracterizados por impulsividade, oposição, hiperatividade e manifestações antissociais.

 

É importante saber: a dificuldade de identificar sintomas do autismo feminino e o diagnóstico, costuma acontecer principalmente com meninas autistas nível 1. Em níveis 2 ou 3, devido aos sintomas mais acentuados, o TEA costuma ser identificado com mais facilidade. O problema é que esses dados podem passar a ideia errada de que mulheres autistas estão principalmente nos níveis 2 e 3 do espectro. Mas, nesses casos, é apenas mais fácil o diagnostico clínico.

 

Outros fatores que dificultam o diagnóstico do autismo feminino

 

Em relação ao comportamento social, as mulheres são naturalmente mais desenvolvidas. Com isso, ao invés de optarem pelo isolamento, muitas meninas no espectro demonstram uma maior capacidade de camuflar suas características. Muitas conseguem copiar o comportamento de outras mulheres e, assim, desenvolverem uma maior interação social.

Essa camuflagem faz com que alguns sintomas do autismo feminino levem mais tempo para serem percebidos pela família, médicos e pela escola, podendo atrasar a identificação do espectro.

Outro fator que faz com que o TEA feminino fique ainda mais invisível são as imposições sociais, que tentam definir como mulheres e homens devem se portar. A fixação por rotina, organização e arrumação são um exemplo disso. A sociedade, ainda muito machista, tende a estranhar essas características em meninos e normalizá-las em meninas. Outro exemplo são os problemas com a interação social, que costumam chamar mais atenção em meninos. Quando em meninas, há casos em que essas dificuldades são associadas à timidez e retraimento.

Esses estereótipos podem fazer com que os sintomas de autismo em meninas sejam menos percebidos ou, até mesmo, confundidos com outros transtornos e doenças como ansiedade, depressão e Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

Portanto, se entre pessoas do mesmo sexo o autismo se manifesta de formas diferentes, é importante considerar que pode haver ainda mais particularidades em relação ao sexo oposto. Por isso, novas pesquisas e metodologias de diagnósticos precisam ser desenvolvidos para diminuir a invisibilidade do autismo feminino.

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