Muito se estuda e se especula sobre as origens e causas do autismo. Há alguns anos, tem surgido diferentes pesquisas a respeito da relação entre vitamina D e autismo, até mesmo se a falta dela na gestação poderia causar o espectro.

Apesar de não ser verdade que a falta da vitamina D na gestação possa causar o autismo, já que não existe nenhuma comprovação científica que indique isso, esse tem sido um mito muito disseminado nos últimos anos. Criando dúvidas e até sentimentos de culpa nas mães de crianças autistas.

Pensando na importância do tema, preparamos este conteúdo para trazer dados científicos que possam esclarecer essas dúvidas. Vamos abordar no texto qual a relação que a vitamina D tem com o autismo e quais as causas do espectro.

Continue a leitura para saber mais!

 

A genética como fator para entendimento das causas do autismo

 

Já se sabe que o autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento e que sua “origem” é multifatorial, ou seja, está ligado a mais de um fator. Entre eles estão fatores genéticos e ambientais que atuam em combinações diversas.

Segundo o Dr. Marcelo Masruha – “os casos de autismo, frequentemente, são influenciados por múltiplos genes (poligênica) e prováveis fatores ambientais (ainda desconhecidos), ou seja, trata-se de uma condição multifatorial.”

“Casos de autismo moderado ou grave são decorrentes de doenças genéticas monogênicas, isto é, determinadas por alterações em um único gene. São exemplos: esclerose tuberosa (genes TSC1 e TSC2), síndrome do X frágil (gene FMR1) e síndrome de Phelan-McDermid (gene SHANK3),” explica o neurologista.

 

O que causa autismo na gravidez?

 

Com o aumento constante da prevalência do autismo pelo mundo, muitas mulheres gestantes buscar saber como evitar o autismo na gravidez e, se questionam – “o que causa autismo na gravidez?”, “estresse na gravidez causa autismo?” e mais recentemente se a “falta de vitamina d na gravidez pode causar autismo”. Essas são as principais dúvidas dessas futuras mães. Mas é importante frisar que nenhuma dessas afirmações são verdadeiras.

Entre as causas do autismo, além dos fatores genéticos, fatores ambientais também são incluídos, mesmo que com menor importância, já que o transtorno é majoritariamente genético sendo em torno de 97% com herdabilidade de 81%, conferindo apenas 1% a 3% aos fatores ambientais.

A pesquisadora Graciela Pignatari ressalta que existem elementos que estão associados aos hábitos de vida dos pais da criança. Entre os fatores ambientais que podem influenciar estão:

“a idade paterna seguida da idade materna, a exposição de agentes intrauterinos, como drogas (ácido valpróico), infecções, doenças autoimunes, baixo peso ao nascer, hipertensão e obesidade antes ou durante a gestação”, conta Graciela.

Já um estudo realizado em Oslo, na Noruega, os pesquisadores alertaram que níveis baixos de progesterona materna durante a gravidez, poderia demostrar/prever o desenvolvimento do TEA.

 

Qual a relação entre vitamina D e autismo?

 

Segundo o Dr. Marcelo Masruha, “existe uma hipótese de que níveis mais baixos de vitamina D durante a gestação e nos primeiros anos de vida possa estar envolvida na causa de alguns casos de autismo”.

Entretanto, o médico complementa dizendo: “os níveis de evidências disponíveis para avaliar essa relação são muito baixos, ou seja, ainda não há comprovação dessa hipótese”.

Isso foi demonstrado em um estudo chamado How 25(OH)D Levels during Pregnancy Affect Prevalence of Autism in Children: Systematic Review. Ele foi desempenhado pelos pesquisadores Nazlı Uçar, William B. Grant, Isabel Peraita-Costa, e María Morales Suárez-Varela, de diferentes institutos de saúde e nutrição.

Nesta análise, os autores compararam diferentes estudos que investigam essa relação e chegaram às seguintes conclusões:

  • As descobertas da revisão sistemática são consistentes com a hipótese de que baixos níveis de vitamina D podem contribuir para o desenvolvimento do autismo;
  • Existe a possibilidade de “viés de confusão”, pois uma dieta com níveis adequados de vitamina D geralmente também é adequada em outros micronutrientes;
  • São necessários estudos futuros para entender melhor essa possível relação;
  • Estes estudos futuros devem ser feitos com uma grande amostragem de participantes, levando em consideração a incidência de autismo.

O Dr. Masruha também esclarece que caso essa hipótese seja comprovada futuramente, a influência da vitamina D na gravidez de crianças autistas só se aplicaria a alguns casos de autismo, e não a todos, uma vez que o TEA é uma síndrome multifatorial e não uma doença única.

 

Quais as taxas ideais de vitamina D durante a gravidez?

 

Atualmente, a taxa considerada ideal de Vitamina D durante a gravidez está entre 25 e 50 nmol/L. Vale lembrar que a principal forma de obtermos esse nutriente é através da exposição aos raios ultravioletas (UV), provenientes do sol.

Para manter a saúde e a vitamina D em dia, especialistas indicam que a exposição de pernas e braços ao sol, diariamente, pode ser uma boa ideia. Mas isso deve ser feito por apenas 10 a 15 minutos, sem proteção solar e preferencialmente no período das 10h às 15 horas.

No Brasil, a população urbana, principalmente do sudeste e sul do país, tem acesso limitado ao sol, por conta de hábitos e comportamentos relacionados à rotina, trabalho e até mesmo à proteção solar.

Por isso, é comum que essas pessoas possam apresentar deficiência da vitamina D e, em muitos casos, seja necessário fazer a suplementação deste nutriente.

 

 

FAQ

 

A alimentação da mãe ou o estresse na gravidez causa autismo?

Como citamos, o autismo é uma síndrome multifatorial. Portanto, não é apenas um fator, como uma dieta, que determina o surgimento do TEA.

Desta forma, não há nenhuma evidência de que a alimentação materna ou até mesmo da criança possa influenciar no surgimento do autismo. E o mesmo vale para a exposição solar.

 

Como a alimentação influencia no tratamento da criança com autismo?

Também não há nenhuma evidência científica de que dietas específicas possam auxiliar ou atrapalhar o tratamento de crianças autistas.

Entretanto, em casos de diagnósticos de alergias ou intolerâncias alimentares específicas, é recomendado a retirada destes alimentos. Isso pode aliviar o desconforto da criança e, consequentemente, melhorar seu humor e comportamento.

Por sua vez, a seletividade alimentar de crianças autistas pode ser comum. Este comportamento não está relacionado a questões nutricionais. Mas sim a texturas, sabores, aparência, cheiros e até mesmo temperaturas que podem incomodar as crianças gerando a rejeição deste alimento.

 

A vitamina D pode curar o autismo ou influenciar no tratamento?

Ainda não há nenhum indicativo de que a Vitamina D possa influenciar no tratamento do autismo. Vale lembrar que o autismo não é uma doença, então, não existe cura. Também que não existe remédio milagroso para o tratamento de crianças com autismo.

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